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África do Sul: oração é respondida com manifestações pacíficas, mas imigrantes continuam em acampamentos improvisados

  • Foto do escritor: Raphaelson Steven Zilse
    Raphaelson Steven Zilse
  • 9 de jul.
  • 4 min de leitura
Migrantes não-regulamentados fazem fila para deixar a África do Sul na segunda-feira, 30 de junho de 2026, quando entrou em vigor um prazo não oficial estabelecido por grupos anti-imigração que exigiam sua saída do país. Quase 25 mil estrangeiros não-regulamentados deixaram a África do Sul durante a crise, enquanto muitos outros buscaram refúgio em centros comunitários, igrejas e acampamentos improvisados. Foto por Sky News, em christiandaily.com.
Migrantes não-regulamentados fazem fila para deixar a África do Sul na segunda-feira, 30 de junho de 2026, quando entrou em vigor um prazo não oficial estabelecido por grupos anti-imigração que exigiam sua saída do país. Quase 25 mil estrangeiros não-regulamentados deixaram a África do Sul durante a crise, enquanto muitos outros buscaram refúgio em centros comunitários, igrejas e acampamentos improvisados. Foto por Sky News, em christiandaily.com.

África do Sul (ChristianDaily) - A África do Sul permaneceu relativamente tranquila em 30 de junho, quando expirou um ultimato não oficial imposto por grupos contrários à imigração.


Ao contrário do que muitos temiam, a data transcorreu sem a onda de violência, saques e destruição registrada em protestos anteriores. Com exceção de alguns incidentes isolados, as principais cidades evitaram confrontos graças ao forte esquema de segurança da polícia e à postura firme do governo contra atos de violência.


Para líderes cristãos, o desfecho representou uma resposta às orações. A Associação de Evangélicos da África (AEA), a Aliança Evangélica da África do Sul (TEASA) e o Fórum Africano para Transformação da Igreja (ACT Forum) convocaram seus membros para um dia de oração e jejum em 28 de junho, após uma missão conjunta de averiguação realizada entre 16 e 19 de junho em Johannesburgo e na província de KwaZulu-Natal.


O apelo conjunto reconheceu que a crise envolvendo a imigração havia ultrapassado a questão dos migrantes em situação irregular, atingindo também pessoas com documentação válida, incluindo solicitantes de refúgio, refugiados reconhecidos e residentes permanentes. Diante da situação, diversas igrejas em KwaZulu-Natal e Gauteng transformaram seus prédios em abrigos emergenciais para pessoas deslocadas.


O secretário-geral da AEA, Dr. Master Matlhaope, enviou uma carta às alianças e redes da organização presentes em 51 países africanos, solicitando participação na mobilização de oração.


O bispo Never Muparutsa, vice-presidente da AEA e presidente global do Fórum Africano sobre Religião e Governo, que liderou a missão de investigação, afirmou:

"Esta é uma questão continental, e a resposta da Igreja deve demonstrar que compreendemos sua complexidade. Precisamos ser justos, precisos e equilibrados. A África deve responder como uma só família."

O apelo incluiu oito áreas de intercessão, entre elas a manutenção da paz durante e após os protestos de 30 de junho, a dignidade das pessoas vivendo em acampamentos improvisados e o papel da própria Igreja diante da crise. Também foram incentivadas orações pelas autoridades sul-africanas, para que lidassem com as legítimas preocupações da população sobre imigração com sabedoria, respeito ao Estado de Direito e políticas equilibradas. As igrejas foram orientadas a dedicar pelo menos 15 minutos dos cultos de domingo à oração, jejuar do nascer ao pôr do sol e realizar um ato prático de solidariedade.


Milhares ainda permanecem deslocados


Embora a violência em larga escala tenha sido evitada, os efeitos do ultimato continuam sendo sentidos. Quase 25 mil pessoas deixaram a África do Sul, enquanto muitas outras buscaram abrigo em centros comunitários, igrejas e acampamentos improvisados.


A organização Human Rights Watch documentou ataques praticados por grupos de justiceiros contra estrangeiros africanos e asiáticos desde abril de 2026, observando que, em alguns casos, a resposta policial foi insuficiente. Um cidadão do Malawi morreu após ser espancado por uma multidão em Pietermaritzburg, depois de um protesto. A polícia abriu investigação por homicídio.


A África do Sul possui um histórico de violência contra imigrantes. Em 2008, ataques iniciados no bairro de Alexandra, em Johannesburgo, deixaram 62 mortos e mais de 100 mil deslocados. O Institute for Security Studies alertou que, caso a situação atual não seja controlada, ela poderá alcançar proporções semelhantes às da crise de 2008.


Operações de repatriação


Uma reportagem da Reuters, publicada pela CNBC Africa, destacou que o aumento dos ataques contra estrangeiros tem prejudicado a imagem internacional da África do Sul.

A ministra da Justiça, Mmamoloko Kubayi, pediu que os sul-africanos rejeitem atos de justiça com as próprias mãos e permitam que o governo trate das questões migratórias por meio dos canais legais.


Diversos países africanos iniciaram operações emergenciais para repatriar seus cidadãos. Malawi, Gana, Nigéria, Zimbábue e Moçambique estão entre os governos que organizaram o retorno de seus nacionais.


Segundo a NPR, milhares de malauianos deixaram suas casas em Durban e passaram a viver ao relento durante o inverno, apelando para que seu governo enviasse ônibus para levá-los de volta ao país.


Governo e líderes tradicionais pedem calma


Em pronunciamento televisionado no dia 7 de junho, o presidente Cyril


Ramaphosa enfatizou que somente o Estado tem autoridade para fiscalizar o cumprimento das leis de imigração.

"Nenhuma outra pessoa está autorizada, por exemplo, a abordar alguém na rua para exigir prova de nacionalidade."

Ele acrescentou que o governo tomará medidas contra aqueles que estiverem explorando a questão migratória para promover interesses políticos, pessoais ou criminosos.


O rei dos zulus, Misuzulu kaZwelithini, também fez um apelo público para que sua comunidade evitasse qualquer violência contra estrangeiros.

"África do Sul, neste momento não estamos dando um bom exemplo para todo o continente africano."

Segundo o monarca, os ataques prejudicam a posição do país na África e ainda colocam em risco os sul-africanos que vivem em outras nações africanas.


Ele afirmou ter conversado diretamente com líderes dos protestos anti-imigração, pedindo contenção.

"Peço a vocês, zulus: que nenhum sangue seja derramado. Não ataquem essas pessoas. O sofrimento as trouxe até aqui, assim como nós também sofremos."

Igrejas lembram identidade cristã


Diversos líderes cristãos sul-africanos ressaltaram que os seguidores de Cristo devem colocar sua identidade em Jesus acima da identidade nacional.


Em um vídeo divulgado pela Aliança Evangélica da África do Sul, os líderes citaram Miqueias 6:8, incentivando os cristãos a "praticar a justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com Deus".


O reverendo Rene August, da Igreja Anglicana da África do Sul, também recordou as palavras de Jesus em Mateus 25:35:

"Quando acolhemos um estrangeiro, acolhemos o próprio Cristo."

Por Christian Daily International.

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"Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem"
Hebreus 11:1

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