Pastor Ezra Jin relata duras condições nas prisões chinesas em suas primeiras declarações após ser libertado

China/EUA (ChristianPost) - Dias depois de reencontrar sua família pela primeira vez em oito anos, às vésperas do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, o pastor de igreja doméstica chinesa Ezra Jin Mingri declarou que não descansará enquanto outros oito membros de sua igreja continuarem presos na China, onde permanecem confinados em celas superlotadas e são obrigados a dormir sobre esteiras no chão sob calor intenso.
Jin, de 56 anos, foi libertado no início deste mês após passar 266 dias preso em uma penitenciária chinesa. Ele havia sido detido, juntamente com outros 28 líderes e membros da Igreja Zion de Pequim, em outubro do ano passado.
Sua libertação ocorreu menos de dois meses depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou seu caso ao presidente chinês Xi Jinping durante uma reunião em Pequim.
"Um novo capítulo para as pessoas de fé na China"
Em um artigo publicado pelo The Wall Street Journal, o fundador da Igreja Zion de Pequim expressou a esperança de que sua libertação represente o início de "um novo capítulo para as pessoas de fé na China", onde as pessoas possam adorar livremente.
"Esse futuro pode parecer extremamente distante, mas minha própria libertação também parecia."
Jin contou que acreditava estar sendo levado para seu julgamento quando os guardas o colocaram em uma van na última sexta-feira.
Embora esperasse receber uma longa pena de prisão por liderar uma igreja doméstica não registrada, foi surpreendido ao ser libertado com todas as acusações retiradas.
"Não poderia estar mais agradecido e oro para que outros que ainda estão presos experimentem essa mesma liberdade em breve. O meu Deus é um Deus de milagres e constantemente me surpreende."
Oito cristãos continuam presos
Apesar de sua libertação, oito membros da Igreja Zion, além de outros líderes cristãos, continuam presos por motivos de consciência na China.
Jin descreveu esses irmãos como:
"Algumas das pessoas mais amorosas que já conheci."
Segundo ele,
"Eles estão confinados em celas apertadas e dormem sobre esteiras no chão em um calor escaldante. Muitos deixaram para trás famílias jovens. Não descansarei até que também sejam libertados."
"O governo não precisa temer os cristãos"
O pastor enfatizou que as autoridades chinesas não têm motivo para temer os milhões de cristãos que frequentam igrejas não registradas.
"Esses cristãos amam sua nação."
Segundo Jin,
"Eles apenas desejam adorar a Deus pacificamente de acordo com a Bíblia e servir aos outros, especialmente aos pobres, às pessoas com deficiência e aos idosos."
Ele também lembrou que:
"A liberdade religiosa é um direito universal garantido pela própria Constituição chinesa."
Jin afirmou esperar que todos os membros de sua igreja sejam libertados e que a China se torne um país onde todas as pessoas possam adorar livremente.
Como primeiro passo, sugeriu que o governo legalize as igrejas domésticas, permitindo sua existência ao lado das igrejas oficialmente reconhecidas pelo Estado, da mesma forma que a China permite a coexistência de empresas privadas e estatais.
A história da Igreja Zion
Ezra Jin estudou no Fuller Theological Seminary, na Califórnia.
Depois de converter-se ao cristianismo, após sua participação nos protestos da Praça da Paz Celestial (Tiananmen) em 1989, fundou a Igreja Zion de Pequim em 2007.
A congregação tornou-se uma das maiores igrejas domésticas da China.
Embora ele e sua esposa sejam cidadãos chineses, seus filhos possuem cidadania americana.
Em 2018, as autoridades fecharam o templo da Igreja Zion em Pequim depois que a liderança se recusou a instalar equipamentos de vigilância exigidos pelo governo.
A partir de então, a igreja passou a reunir-se pela internet, chegando a reunir cerca de 10 mil participantes por meio de plataformas como Zoom, YouTube e WeChat.
"Esperava receber 15 anos de prisão"
Em entrevista ao The New York Times, Jin descreveu o período de prisão como um tempo vivido em um "ambiente carcerário extremamente severo".
"Eu não fazia ideia do que o futuro me reservava."
Ele contou que acreditava que seria condenado a aproximadamente 15 anos de prisão.
Durante o encarceramento, dividia um espaço de aproximadamente 93 metros quadrados (cerca de 1.000 pés quadrados) com dezenas de outros presos.
Durante o dia, todos eram obrigados a permanecer sentados em bancos.
Muitos desenvolveram feridas no corpo porque precisavam pedir autorização até mesmo para se levantar.
À noite, todos dormiam juntos sobre uma plataforma elevada usada como cama coletiva.
Pressão para confessar culpa
Segundo o jornal, autoridades chinesas pressionavam repetidamente Jin a declarar-se culpado.
Embora tenha admitido que fundou uma igreja e continuou promovendo reuniões após o fechamento do templo, ele sustentou que essas atividades religiosas eram perfeitamente legais.
Sobre sua libertação, declarou:
"Talvez isso tenha acontecido porque todos sabem que o presidente Xi tomou essa decisão pessoalmente. Caso contrário, isso não teria sido possível."
Ele também fez um apelo para que sua libertação não faça o mundo esquecer aqueles que permanecem presos.
"Espero que as pessoas não pensem: 'Conseguimos' e esqueçam os demais. Precisamos continuar fazendo todo o esforço possível e continuar levantando a voz. Foi exatamente isso que minha família fez, e vejam o resultado."
O controle do governo sobre as igrejas
O Partido Comunista Chinês considera a religião organizada uma possível ameaça ao seu controle político.
As igrejas oficialmente registradas na China funcionam sob duas entidades estatais:
o Movimento Patriótico das Três Autonomias (TSPM), para igrejas protestantes;
a Associação Patriótica Católica Chinesa (CPCA), para a Igreja Católica.
Segundo a organização Portas Abertas (Open Doors), ambas permanecem sob rígida supervisão do Estado.
O objetivo dessas restrições é promover a chamada "sinicização" das igrejas, isto é, alinhar a doutrina religiosa à ideologia do Partido Comunista Chinês.
A organização afirma que a repressão aos cristãos continua intensa e destaca que leis que proíbem a participação de crianças em atividades religiosas vêm causando impactos cada vez maiores sobre as igrejas e as famílias cristãs do país.
Por Christian Post.




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