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Qual é a verdade sobre a violência contra os cristãos na Nigéria?

  • Foto do escritor: Raphaelson Steven Zilse
    Raphaelson Steven Zilse
  • 15 de jul.
  • 4 min de leitura
Pessoas nigerianas adorando a Deus em um culto. Imagem em mnnonline.org
Pessoas nigerianas adorando a Deus em um culto. Imagem em mnnonline.org

Nigéria (MNN) - A violência contra os cristãos na Nigéria é aleatória ou direcionada? Um novo estudo do Observatory of Religious Freedom in Africa (ORFA) trouxe novos dados que ajudam a responder essa pergunta.


A pesquisa, realizada ao longo de seis anos e baseada em quase 80 mil assassinatos registrados na Nigéria, concluiu que os cristãos são desproporcionalmente alvo de grupos violentos. Entre 2020 e 2025, aproximadamente o dobro de cristãos foi morto em comparação com muçulmanos.


Mas essa não foi a única conclusão. O estudo também identificou o principal responsável pelas mortes de civis: as milícias Fulani, que provocaram quase quatro vezes mais mortes de civis do que o Boko Haram e a Província do Estado Islâmico da África Ocidental (ISWAP) juntos.


O reverendo Yunusa Nmadu, diretor-executivo da Christian Solidarity Worldwide (CSW) na Nigéria e parceiro da Voice of the Martyrs Canada, afirma que o estudo desmonta três narrativas amplamente difundidas sobre a violência no país.

"Essas falsas narrativas não são apenas um problema acadêmico. Elas têm consequências reais, influenciando políticas internacionais e determinando se comunidades vulneráveis receberão ou não a proteção e o apoio de que tanto necessitam por parte de seus irmãos e irmãs ao redor do mundo."

A violência não atinge todos da mesma forma


A primeira narrativa contestada por Nmadu afirma que "a violência na Nigéria afeta todos igualmente."


Ele reconhece que existem diferentes tipos de conflito em regiões distintas do país, que precisam ser analisados separadamente.


No nordeste da Nigéria, por exemplo, atuam grupos terroristas como Boko Haram e ISWAP.

Segundo ele:

"Embora esses grupos tenham ampliado posteriormente seus ataques para incluir comunidades muçulmanas, o registro histórico demonstra de forma inequívoca que sua campanha começou com o ataque sistemático a áreas cristãs, algo que continua ocorrendo com grande intensidade."

Já na região conhecida como Middle Belt (Cinturão Médio), Nmadu afirma que ocorre algo ainda mais grave.

"As milícias Fulani, recentemente classificadas como organizações terroristas pela nova doutrina antiterrorismo da Nigéria, realizam ataques sistemáticos direcionados exclusivamente contra comunidades e indivíduos cristãos."

Ele rejeita a ideia de que esses ataques sejam simples casos de banditismo ou disputa por recursos.

"Não são atos aleatórios. Trata-se de uma campanha planejada de limpeza étnico-religiosa, marcada por assassinatos em massa, sequestros para obtenção de resgate, violência sexual, deslocamento forçado e posterior ocupação das terras ancestrais abandonadas pelas vítimas."

O conflito entre pastores e agricultores é uma conquista territorial


A segunda narrativa questionada é a de que os confrontos entre pastores Fulani muçulmanos e agricultores cristãos seriam apenas resultado da escassez de recursos naturais.


Para Nmadu, a diferença de armamentos demonstra que essa interpretação não corresponde aos fatos.

"Os agricultores defendem suas terras ancestrais armados com enxadas, facões e, ocasionalmente, espingardas artesanais. Já seus atacantes chegam portando fuzis AK-47, lança-foguetes e, em alguns casos documentados, até armamentos antiaéreos."

Ele pergunta:

"Como alguém pode afirmar que é apenas um pastor enquanto carrega armas de guerra sofisticadas, ataca agricultores e ocupa suas terras? Isso não é competição por recursos; é deslocamento forçado e conquista territorial."

Embora reconheça que as mudanças climáticas e a pressão sobre os recursos sejam problemas reais, Nmadu afirma que esses fatores não explicam ataques seletivos contra cristãos.

"As dificuldades econômicas não explicam por que igrejas são especificamente escolhidas para serem destruídas."

O extremismo islâmico alimenta os ataques


A terceira narrativa rejeitada pelo líder cristão é a de que os ataques do Boko Haram, do ISWAP e das milícias Fulani não possuem motivação religiosa.


Segundo ele, essa interpretação ignora tanto as evidências quanto as próprias declarações feitas pelos grupos extremistas.

"O próprio nome Boko Haram significa aproximadamente 'a educação ocidental é proibida', refletindo sua objeção teológica ao ensino secular e seu objetivo de estabelecer um Estado islâmico governado pela sharia."

Desde sua criação, afirma Nmadu, o grupo declarou repetidamente sua intenção de eliminar a influência cristã na Nigéria, frequentemente equiparada por eles à influência ocidental.


Após um ataque realizado no estado de Adamawa, em dezembro de 2025, o ISWAP publicou um comunicado afirmando a legitimidade de atacar cristãos.

"Não estamos lidando com criminosos que, por acaso, são muçulmanos atacando vítimas que, por acaso, são cristãs. Estamos diante de uma violência religiosa motivada por uma ideologia."

Um chamado à oração e à ação


A reportagem conclui lembrando que Deus é um Deus da verdade e incentiva os cristãos ao redor do mundo a orarem para que tanto o Evangelho quanto a verdade sobre a perseguição aos cristãos na Nigéria sejam conhecidos, produzindo ações concretas.


O reverendo Yunusa Nmadu propõe seis medidas para a comunidade internacional:

  1. Manter clareza moral sobre a natureza da violência.

  2. Apoiar os esforços de documentação dos crimes.

  3. Condicionar o relacionamento com o governo nigeriano à proteção das minorias religiosas e cobrar responsabilidade das autoridades.

  4. Fortalecer organizações da sociedade civil e defensores da Liberdade Religiosa ou de Crença (FoRB).

  5. Responder à grave crise humanitária causada pela violência.

  6. Preparar mecanismos de responsabilização para os autores dos crimes.


Segundo ele, as comunidades cristãs nigerianas não pedem caridade nem compaixão, mas sim verdade, proteção e justiça.

"Elas pedem que a comunidade internacional as veja, as ouça e permaneça ao seu lado na hora mais sombria: quando terroristas declaram os cristãos alvos legítimos; quando milícias esvaziam sistematicamente vilarejos cristãos; quando igrejas são destruídas; quando pastores são sequestrados e, em alguns casos, assassinados; quando mulheres são violentadas e crianças ficam órfãs; e quando o próprio governo trata as vítimas com mais severidade do que os agressores."

Nmadu conclui com uma declaração contundente:

"Isso não é apenas insegurança. Não é simplesmente um conflito entre pastores e agricultores. Não é violência comunitária. Isso é perseguição. Trata-se de uma limpeza étnico-religiosa e, no Cinturão Médio da Nigéria, apresenta claros indícios de genocídio."

Por Katie O'Malley, em Mission Network News.


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