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Grupos religiosos e ONGs internacionais alertam para escalada da violência no Sudão do Sul

  • Foto do escritor: Raphaelson Steven Zilse
    Raphaelson Steven Zilse
  • 1 de abr.
  • 5 min de leitura
Analistas afirmam que a estabilidade do Sudão do Sul permanece intimamente ligada à cooperação entre Kiir e Machar, cuja rivalidade política alimentou a guerra civil anterior. (GoSS Facebook)
Analistas afirmam que a estabilidade do Sudão do Sul permanece intimamente ligada à cooperação entre Kiir e Machar, cuja rivalidade política alimentou a guerra civil anterior. (GoSS Facebook)

Sudão do Sul (ChristianDaily) - Líderes religiosos e organizações humanitárias internacionais alertam que o aumento da violência no Sudão do Sul pode levar o país, já frágil, a uma nova guerra civil, pedindo aos líderes políticos que interrompam as operações militares e retornem ao diálogo para evitar mais sofrimento entre civis.


Líderes de igrejas e grupos de ajuda afirmam que ataques recentes contra comunidades e operações humanitárias indicam uma deterioração da segurança, ameaçando o frágil acordo de paz de 2018. As preocupações surgem enquanto organizações humanitárias relatam aumento do deslocamento de pessoas e redução do acesso à ajuda em algumas das áreas mais afetadas.


O Conselho de Igrejas do Sudão do Sul, um organismo ecumênico que representa igrejas católicas, anglicanas, presbiterianas e evangélicas, afirmou que o país está se aproximando de um momento perigoso. O conselho tem desempenhado um papel importante na construção da paz, promovendo reconciliação e diálogo comunitário durante e após a guerra civil.


Líderes cristãos pediram que os políticos priorizem o diálogo em vez da ação militar, afirmando que o uso contínuo da força pode comprometer o processo de paz.


“O ano de 2025 foi o pior, um ano em que nosso povo perdeu a confiança devido às repetidas falhas dos líderes políticos e de algumas elites em implementar uma paz genuína em nosso país”, disse Stephen Ameyu Martin Mulla, arcebispo da Arquidiocese Católica de Juba, em uma recente coletiva de imprensa.

A Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas, uma rede global que representa mais de 100 milhões de cristãos, afirmou que os ataques mostram quão rapidamente o país pode voltar a um conflito generalizado.


“A escalada da violência ameaça minar a frágil paz construída nos últimos anos”, declarou a organização.

O grupo pediu que os líderes políticos renovem seu compromisso com o acordo de paz e apelou à comunidade internacional para apoiar esforços que evitem um conflito mais amplo.

Líderes locais também ecoaram essas preocupações. Igrejas afirmam estar profundamente preocupadas com o impacto da violência renovada sobre famílias comuns, que já enfrentam pobreza, deslocamento e insegurança alimentar.


Líderes católicos regionais também condenaram os ataques recentes.


Governo reconhece preocupações, mas culpa oposição armada


Em resposta, o governo do Sudão do Sul disse compartilhar das preocupações levantadas pelas igrejas, mas defendeu as operações militares em andamento como necessárias para manter a segurança e a estabilidade.


Em comunicado de 17 de março, o gabinete do presidente Salva Kiir afirmou que as autoridades continuam comprometidas com a paz e com a implementação total do acordo de paz revitalizado.


“O Governo da República do Sudão do Sul compartilha as preocupações levantadas pelo Conselho de Igrejas sobre a situação política, de segurança e humanitária no país”, diz o comunicado.

No entanto, autoridades afirmaram que as operações de segurança em todo o país fazem parte da responsabilidade constitucional de manter a lei e a ordem.


“Essas operações não são arbitrárias; são respostas a ameaças à segurança, com o objetivo de restaurar a estabilidade e proteger civis.”

O governo acusou elementos da oposição armada ligados ao Movimento/Exército Popular de Libertação do Sudão em Oposição (SPLM/A-IO) de lançar ataques contra posições governamentais entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.


Segundo o governo, esses ataques atingiram áreas como Waat e Pajut e ameaçaram avançar em direção à capital, Juba, o que levou à resposta militar das forças governamentais.


“O governo reafirma que não iniciou essas hostilidades e pede ao SPLM/A-IO e a todos os grupos armados que cessem suas atividades militares e priorizem o diálogo.”

Ao mesmo tempo, as autoridades reconheceram o impacto da violência sobre civis, especialmente mulheres, crianças e idosos, e condenaram ataques contra não combatentes.


O governo afirmou que os responsáveis por tais atos serão responsabilizados conforme a lei.


ONGs pedem proteção aos civis


Enquanto isso, uma coalizão de organizações não governamentais afirmou que os confrontos crescentes estão colocando civis em grave risco e limitando o acesso humanitário.


“A proteção dos civis deve ser priorizada, e todas as partes devem cumprir plenamente o direito humanitário internacional”, afirmaram as ONGs em comunicado publicado pelo ReliefWeb.

Os grupos pediram uma redução imediata da violência e instaram os atores armados a permitir a passagem segura de ajuda humanitária. Alertaram que a continuidade dos combates pode agravar uma crise humanitária já grave, em um país onde milhões dependem de assistência externa.


Contexto: um país ainda frágil após a guerra


O Sudão do Sul, o país mais jovem do mundo, emergiu de uma guerra civil brutal em 2018, após cinco anos de conflitos entre forças leais ao presidente Salva Kiir e as alinhadas ao líder da oposição e atual vice-presidente Riek Machar.


O conflito deixou cerca de 400 mil mortos e deslocou milhões de pessoas.


Apesar do acordo de paz, a violência esporádica continua em várias regiões, frequentemente alimentada por tensões políticas, milícias armadas e disputas por recursos e poder local.


As tensões atingiram um ponto crítico no início de 2025, quando o governo colocou Machar em prisão domiciliar e o acusou de traição após uma série de ataques de milícias.


Organizações humanitárias afirmam que ataques recentes evidenciam a fragilidade do cenário de segurança. Segundo relatos, um ataque mortal no início de março no condado de Abiemnom, próximo à fronteira com o Sudão, deixou pelo menos 169 mortos, incluindo mulheres e crianças. Milhares fugiram da violência, alguns buscando abrigo em bases da ONU.


Organizações cristãs internacionais também se juntaram aos alertas sobre a deterioração da situação.


“O diálogo é o único caminho”


Bispos do Sudão e do Sudão do Sul descreveram os assassinatos como evidência de um agravamento da situação de segurança, que pode levar o país a mais instabilidade.

Segundo eles, a violência representa “uma nova descida ao abismo da depravação humana”.


Eles pediram que líderes políticos busquem a paz e protejam os civis, alertando que a continuidade da violência aprofundará o sofrimento humanitário.


Organizações humanitárias afirmam que a crise já está afetando operações de ajuda, com várias entidades suspendendo temporariamente atividades devido à insegurança, deixando comunidades sem serviços essenciais como assistência médica e alimentos.


O acesso às populações vulneráveis está se tornando cada vez mais difícil, à medida que os confrontos interrompem rotas de transporte e criam condições inseguras para trabalhadores humanitários.


A coalizão de ONGs alertou que a situação pode piorar ainda mais se a violência continuar.


“A escalada da violência está colocando civis em grave risco”, afirmaram, pedindo respeito ao direito humanitário internacional e proteção aos trabalhadores e instalações humanitárias.


As Nações Unidas também expressaram preocupação com as implicações mais amplas da violência.


Forças de paz da ONU continuam destacadas em partes do país para proteger civis e apoiar o processo de paz, embora enfrentem desafios diante de surtos localizados de conflito.


Analistas afirmam que a estabilidade do Sudão do Sul está diretamente ligada à cooperação entre Kiir e Machar, cuja rivalidade política alimentou a guerra civil anterior.

Qualquer ruptura nessa relação pode desestabilizar o governo de unidade nacional criado pelo acordo de 2018.


Líderes religiosos têm desempenhado um papel importante nos esforços de paz, participando de iniciativas de reconciliação e promovendo a unidade nacional.


Por enquanto, organizações humanitárias e líderes religiosos afirmam que evitar uma nova escalada é essencial.


Sem ação rápida, alertam, a violência pode aprofundar uma crise humanitária já severa e ameaçar a frágil estabilidade que o país luta para manter desde o fim da guerra civil.


“O diálogo é o único caminho”, afirmam os líderes religiosos, pedindo que os líderes políticos coloquem os interesses do povo acima das disputas políticas.


Por Vincent Matinde, Christian Daily International.

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