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Extremistas islâmicos interrompem culto cristão na Indonésia

  • Foto do escritor: Raphaelson Steven Zilse
    Raphaelson Steven Zilse
  • 31 de mai.
  • 5 min de leitura

Muçulmanos interrompem culto da Igreja Missão Próspera (GMS) na vila de Panggungharjo, Regência de Bantul, Região Especial de Yogyakarta, Indonésia, em 24 de maio de 2026.
Muçulmanos interrompem culto da Igreja Missão Próspera (GMS) na vila de Panggungharjo, Regência de Bantul, Região Especial de Yogyakarta, Indonésia, em 24 de maio de 2026.

Indonésia (ChristianDaily) - Uma multidão de muçulmanos na Indonésia, liderada por membros da organização extremista islâmica Frente da Jihad Islâmica (FJI), interrompeu no domingo (24 de maio) um culto cristão realizado em um novo local da congregação, segundo fontes locais.


Mais de uma dezena de membros da FJI, juntamente com moradores da região, invadiram o prédio recém-alugado da Igreja Missão Próspera (GMS), localizado em Kampung Glugo, vila de Panggungharjo, distrito de Sewon, regência de Bantul, na Região Especial de Yogyakarta, pouco antes do início do culto.


A igreja anteriormente se reunia no Hotel Ros-In, mas recentemente mudou-se para o novo local devido ao aumento dos custos. Os manifestantes alegaram que a congregação ainda não havia obtido autorização para realizar cultos no novo endereço e que sua presença em uma área de maioria muçulmana causava perturbação e poderia prejudicar as relações inter-religiosas.


Os invasores, usando máscaras, jaquetas com o logotipo da FJI, moletons com capuz e capacetes, forçaram passagem em direção à entrada principal da igreja pouco antes das 8h da manhã, enquanto os fiéis se preparavam para o culto. O grupo protestou contra a presença da igreja com gritos, palavras de ordem, incluindo o slogan jihadista “Allahu Akbar” (“Deus é Maior”), além de ameaças. Houve empurrões entre os manifestantes e líderes da igreja enquanto a polícia observava a situação.


O chefe da Polícia de Bantul informou que os agentes estavam de prontidão e haviam protegido a área para evitar uma escalada do conflito. O portal TimesIndonesia.com relatou que representantes da igreja, da polícia e autoridades locais já haviam discutido formas de evitar confrontos no sábado (23 de maio).

Em um vídeo do incidente, é possível ouvir um integrante da multidão gritando:

“Se a polícia não estivesse aqui, vocês não ficariam de pé aqui para sempre. Se a polícia sair e deixar vocês por mais de 24 horas, eu vou incendiar esta igreja.”

A multidão apresentou exigências que assustaram os membros da congregação, levando-os a deixar o local por volta das 8h30.


“De repente, eles entraram no prédio usando camisetas e jaquetas da FJI”, relatou um membro da igreja. “Eles nos forçaram a interromper o culto. Havia muitas crianças e idosos presentes, e o ambiente ficou extremamente tenso.”


Os invasores afirmaram que a região é predominantemente muçulmana e que a presença da igreja — localizada atrás do conhecido internato islâmico Grapyak — poderia comprometer a harmonia social e inter-religiosa.


Congregação relata trauma

O porta-voz da igreja, Josiah Michael, afirmou que os atos de intimidação, juntamente com ameaças verbais e físicas, causaram sofrimento e trauma aos membros da congregação, especialmente às crianças.


Ele destacou que a liberdade religiosa e a prática pacífica do culto são direitos humanos fundamentais garantidos pelo Estado por meio da filosofia nacional indonésia Pancasila, que promove a coesão em meio à diversidade étnica, religiosa e cultural, bem como pela Constituição de 1945.


Deni Ngajis Hartono, secretário da Agência de Unidade Nacional e Política da Regência de Bantul, explicou que a igreja GMS possui um Certificado de Registro emitido pelo Ministério dos Assuntos Religiosos, que lhe concede o direito de realizar atividades religiosas. Contudo, na Indonésia, ainda é necessária uma autorização específica para o uso de um local de culto.


“A congregação da GMS acredita que, por possuir o Certificado de Registro do Ministério dos Assuntos Religiosos, está autorizada a realizar atividades de culto”, afirmou Deni. “No entanto, essa interpretação difere da visão da organização que interrompeu o culto, o que resultou nesses acontecimentos lamentáveis.”


Líderes muçulmanos condenam a interrupção

Muhamad Guntur Romli, integrante da Nahdlatul Ulama (NU), a maior organização muçulmana e cultural da Indonésia, publicou em suas redes sociais:

“Atividades de culto não podem e não devem ser dissolvidas, mesmo que o local de culto não possua licença. São duas questões completamente diferentes, com consequências legais distintas. Dissolver um culto é um crime.”

Ele acrescentou que a questão da licença do prédio é um assunto administrativo, enquanto impedir uma reunião religiosa constitui violação criminal.

“Mais uma vez, dissolver um culto é um crime, um ataque ao direito constitucional mais fundamental: o direito de se relacionar com Deus. Não existe regulamento local ou nacional que justifique um grupo impedir outro grupo de orar ou adorar.”

A polícia local prometeu agir firmemente contra aqueles que impediram o culto.

Gugun Gumelar, assessor especial do Ministro dos Assuntos Religiosos, também condenou a invasão:

“Acabei de ligar para o chefe da Polícia Regional de Yogyakarta pedindo a prisão dos responsáveis. Isto é um ato criminoso.”

Reações de igrejas e organizações de direitos humanos

A interrupção do culto provocou críticas de diversos grupos religiosos.

Jacklevyn Fritz Manuputty, presidente da Comunhão das Igrejas na Indonésia (PGI), declarou:

“Essa dissolução não pode ser permitida. O governo deve intervir. O Estado deve garantir segurança para o culto, que é um direito constitucional. Não deve haver intimidação, perseguição ou interrupção de serviços religiosos sob qualquer pretexto.”

A Amnesty International Indonesia também se manifestou:

“Este ato de intolerância demonstra mais uma vez que o Estado ainda não garantiu plenamente a liberdade de culto para todos os cidadãos. O direito à liberdade religiosa e ao culto é um direito humano absoluto protegido pela Constituição.”

Um porta-voz da polícia de Bantul reforçou:

“A Constituição garante a liberdade de culto, e qualquer forma de intimidação unilateral não é justificada pela lei.”

Resposta da Frente da Jihad Islâmica (FJI)


Abdurrahman Abu Zaki, representante da FJI em Yogyakarta, confirmou que o grupo interrompeu o culto devido à oposição dos moradores e à falta de autorização completa para o local.


“Basicamente, a igreja queria realizar uma cerimônia de inauguração, mas já havia sido advertida pela Agência de Unidade Nacional e Política de Bantul, e os moradores também rejeitaram a iniciativa”, afirmou.


Segundo ele, a igreja possuía autorização do Ministério dos Assuntos Religiosos, mas não a licença específica para o novo local de culto.


Abdurrahman argumentou ainda que a interrupção do culto teria sido necessária para evitar conflitos maiores entre a igreja e os moradores.


“Há muitas notícias distorcidas dizendo que estamos dissolvendo um culto por intolerância”, disse. “Como os moradores já haviam rejeitado a presença da igreja, se não tivéssemos interrompido a reunião, o conflito poderia se agravar.”


Ele ressaltou que a maioria dos moradores da área é muçulmana e que o local fica próximo ao internato islâmico Al-Munawwir, em Krapyak.


“Se eles realmente querem construir uma igreja, tudo bem, mas deve ser feito seguindo os procedimentos legais. É preciso obter a aprovação dos moradores. Se os moradores não tiverem objeções, nós também não teremos.”


Mediação e próximos passos


O governo de Bantul está trabalhando para resolver o caso. Na segunda-feira (25 de maio), foi realizada uma reunião de mediação conduzida pelo chefe da Polícia de Bantul, Bayu Puji Hariyanto, com representantes do governo local, da FJI e da igreja GMS.

Além da continuidade da proteção policial ao local, ficou acordado que a igreja concluirá o processo de obtenção da licença necessária antes de utilizar o prédio. Isso inclui a obtenção da aprovação de 60 moradores da região e a apresentação de assinaturas de 90 membros da congregação.


A GMS Bantul é o 114º ramo da denominação GMS, atuando na Indonésia e em outros países. A igreja atende aproximadamente 370 membros na regência de Bantul e é liderada pelos pastores Sudaryanto e Yuli Setyowati. Segundo o portal KRJogja.com, a congregação foi oficialmente inaugurada em 10 de setembro.


Por Morning Star News.

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