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Cristãos em Zanzibar continuam a cultuar apesar do aumento das ameaças e dos ataques na costa da Tanzânia

  • Foto do escritor: Raphaelson Steven Zilse
    Raphaelson Steven Zilse
  • há 3 dias
  • 5 min de leitura

A organização cristã de defesa da liberdade religiosa Open Doors, Portas Abertas, informou, em sua avaliação de 2025, que as igrejas em Zanzibar e nas regiões costeiras da Tanzânia enfrentam dificuldades para organizar atividades cristãs, inclusive dentro de seus próprios locais de culto. Informações por Harvest Ministries. Foto em whc.unesco.org
A organização cristã de defesa da liberdade religiosa Open Doors, Portas Abertas, informou, em sua avaliação de 2025, que as igrejas em Zanzibar e nas regiões costeiras da Tanzânia enfrentam dificuldades para organizar atividades cristãs, inclusive dentro de seus próprios locais de culto. Informações por Harvest Ministries. Foto em whc.unesco.org

Tanzânia (ChristianDaily) - As portas de algumas pequenas igrejas em Zanzibar, um arquipélago semiautônomo da Tanzânia, foram arrombadas, Bíblias espalhadas e congregações deixadas abaladas. Ainda assim, cristãos de várias comunidades de maioria muçulmana continuam se reunindo para cultuar, apesar do temor de novos ataques e da crescente pressão social.


Um relatório publicado em 6 de agosto pela International Christian Concern afirmou que cristãos de várias comunidades costeiras de Zanzibar continuam realizando cultos apesar de ameaças, assédio e ataques ocasionais.


Líderes de igrejas em Zanzibar, na costa da Tanzânia, disseram à organização que a pressão vai além dos ataques físicos e inclui também uma pressão social que pode fazer com que os cristãos tenham medo de praticar sua fé abertamente.


A situação é particularmente delicada em Zanzibar e em outras áreas costeiras onde os muçulmanos constituem a maioria da população. Embora a Constituição da Tanzânia garanta a liberdade religiosa e proíba a discriminação por motivos religiosos, grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que cristãos em algumas partes do país enfrentam restrições que não são compatíveis com essas garantias constitucionais.


A organização cristã Open Doors, Portas Abertas, informou, em sua avaliação de 2025, que igrejas em Zanzibar e nas regiões costeiras da Tanzânia enfrentam dificuldades para organizar atividades cristãs, inclusive dentro de seus próprios locais de culto. Segundo a organização, congregações nessas áreas podem sofrer ameaças de líderes comunitários locais, grupos radicais e, em alguns casos, autoridades hostis.


“As igrejas na Tanzânia enfrentam obstáculos significativos para organizar atividades cristãs, mesmo dentro de seus próprios locais de culto”, afirmou a Open Doors.

A organização acrescentou que, em Zanzibar e nas regiões costeiras, os cultos são monitorados de perto e os fiéis podem sofrer assédio ou intimidação, o que acaba desencorajando a participação regular.


A Open Doors também informou que pelo menos 10 igrejas foram atacadas durante seu período de monitoramento de 2025, com incidentes registrados em Pemba, Unguja e outras partes da Tanzânia. Os ataques incluíram vandalismo, incêndios criminosos e destruição. A organização afirmou ainda que pelo menos 100 cristãos sofreram abusos físicos ou psicológicos durante o mesmo período, embora tenha alertado que muitos incidentes não são denunciados.


Esses números ajudam a contextualizar os relatos mais recentes provenientes das igrejas da região costeira. A questão não se resume a saber se os cristãos podem participar de um culto aos domingos. Em algumas comunidades, os líderes precisam avaliar se suas congregações podem se reunir publicamente, se novas igrejas podem ser estabelecidas e se os convertidos podem participar dos cultos sem sofrer pressão de suas famílias ou das comunidades em que vivem.


A Open Doors afirmou que a obtenção de status legal para as igrejas também pode ser difícil, especialmente em Zanzibar e nas áreas costeiras. Os grupos cristãos são obrigados a se registrar junto às autoridades e podem estar sujeitos a um escrutínio adicional. Segundo a organização, os procedimentos de registro podem ser atrasados ou obstruídos, deixando algumas igrejas vulneráveis a acusações de funcionamento ilegal.


A Christian Solidarity Worldwide (CSW), organização dedicada à defesa da liberdade religiosa, documentou preocupações semelhantes.


Em um relatório de novembro de 2025, a CSW afirmou que cristãos em Zanzibar enfrentam restrições para estabelecer locais de culto. A organização declarou que, em alguns casos, é necessária a autorização da comunidade local antes que um prédio de igreja possa ser construído, embora essa exigência não faça parte da estrutura legal formal.


Segundo a CSW, várias igrejas que haviam obtido as autorizações necessárias acabaram envolvidas em processos judiciais, cujas audiências foram repetidamente adiadas. A organização também informou que pelo menos 24 prédios de igrejas foram destruídos em ataques realizados por multidões ao longo dos anos.


Relatos anteriores


Um dos incidentes mais bem documentados ocorreu em fevereiro de 2020, quando a Calvary Mission Church, em Mwamboni, foi atacada por homens armados com facões, martelos e gasolina, segundo a CSW. A esposa do pastor, Philemon Mafilili, foi agredida fisicamente. Alguns dias depois, os atacantes retornaram e atacaram Mafilili, deixando-o gravemente ferido e necessitando de tratamento hospitalar.


Antes dos ataques, Mafilili teria sido advertido por uma autoridade local a deixar a região porque a comunidade muçulmana não queria uma igreja naquele local, informou a CSW.

A experiência das igrejas em Zanzibar também foi descrita pelos próprios líderes cristãos.

Em um relatório de 2022 publicado pela International Christian Concern, o bispo Derick — nome alterado por razões de segurança — afirmou que alguns cristãos haviam sido aconselhados a deixar de se reunir todos os domingos por causa do medo de ataques.


“O maior obstáculo para alcançar um tratamento judicial religioso igualitário é a concentração de autoridades judiciais muçulmanas que não tomam medidas contra a violência sectária praticada contra a [Igreja cristã]”, afirmou.

O pastor Adam, também identificado por um pseudônimo por razões de segurança, descreveu a situação mais ampla como um cenário de discriminação e exclusão.


“Zanzibar ainda está mergulhada em uma profunda discriminação e exclusão religiosa que afeta os cristãos, pois eles são um grupo minoritário”, afirmou.

Ele acrescentou que os cristãos têm apelado repetidamente às autoridades para que protejam as igrejas e os fiéis.


“A igreja em Zanzibar tem procurado pedir ao governo que intervenha e crie condições de igualdade nas quais diferentes religiões e locais de culto sejam respeitados e protegidos pela lei”, disse Adam. “Isso ainda é um sonho e nossa oração diária, e não desistiremos de pedir às autoridades de Zanzibar que protejam os fiéis dos ataques orquestrados pelos fundamentalistas árabes.”

A CSW observou que tanto a Constituição da Tanzânia quanto a de Zanzibar garantem igualdade independentemente da religião e protegem a liberdade de consciência e de escolha religiosa. A legislação tanzaniana também proíbe a destruição ou o dano intencional a locais de culto.


A pressão sobre os cristãos também ultrapassa os limites dos prédios das igrejas. A Protas Abertas (Open Doors) informou que convertidos ao cristianismo em Zanzibar e em outras áreas costeiras podem enfrentar ostracismo social, assédio e ameaças, porque a conversão pode ser interpretada como uma rejeição à identidade familiar e comunitária. Igrejas que apoiam esses convertidos também podem se tornar alvos de hostilidade.


As leis da Tanzânia oferecem proteção à liberdade religiosa. Grupos cristãos e organizações de direitos humanos afirmam, porém, que essas proteções precisam ser aplicadas de maneira consistente, especialmente em Zanzibar e em outras comunidades costeiras de maioria muçulmana, onde os cristãos continuam vulneráveis à pressão social, às restrições e aos ataques.


Por Vincent Matinde, em Christian Daily International.

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