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Cristão sudanês convertido é agredido dentro de igreja em campo de refugiados no Sudão do Sul

  • Foto do escritor: Raphaelson Steven Zilse
    Raphaelson Steven Zilse
  • 2 de jul.
  • 4 min de leitura
Recentemente, um grupo de muçulmanos invadiu a igreja frequentada por Drake Haron, localizada no Campo de Refugiados de Gorom, no Sudão do Sul, e o agrediu. Haron afirma que já esperava enfrentar esse tipo de violência desde que deixou o islamismo para seguir Jesus. Foto por Tamazuj, em christiandaily.com
Recentemente, um grupo de muçulmanos invadiu a igreja frequentada por Drake Haron, localizada no Campo de Refugiados de Gorom, no Sudão do Sul, e o agrediu. Haron afirma que já esperava enfrentar esse tipo de violência desde que deixou o islamismo para seguir Jesus. Foto por Tamazuj, em christiandaily.com

Sudão (ChristianDaily) - A agressão contra um cristão sudanês dentro de uma igreja no Campo de Refugiados de Gorom, no Sudão do Sul, reacendeu preocupações sobre a vulnerabilidade de convertidos ao cristianismo e os desafios enfrentados por comunidades deslocadas que fogem do conflito no vizinho Sudão.


De acordo com a organização International Christian Concern (ICC), sediada em Washington, D.C., nos Estados Unidos, e dedicada ao monitoramento da perseguição religiosa, um grupo de muçulmanos invadiu uma igreja no Campo de Refugiados de Gorom, em 28 de maio, e agrediu um cristão sudanês identificado como Drake Haron. A entidade informou que o ataque ocorreu dentro do templo onde Haron frequenta os cultos e atua ao lado de outros refugiados.


"O ataque violou a sensação de paz existente na pequena igreja da comunidade de refugiados", informou a ICC em relatório divulgado em 15 de junho. Segundo a organização, os agressores ainda não foram identificados.

Haron afirmou que sempre esteve consciente dos riscos envolvidos em sua decisão de deixar o islamismo para seguir a fé cristã.


"Para mim, ser cristão é um privilégio", declarou. "O fato de Jesus ter morrido pelos meus pecados para que eu fosse salvo significa muito para mim. Com base nessa realidade, escolhi segui-Lo e cumprir Sua vontade, que é pregar o evangelho."

O ataque aconteceu dentro de um local de culto que muitos refugiados consideram um dos poucos espaços seguros disponíveis em meio ao deslocamento, à incerteza e aos traumas causados pela guerra. Em assentamentos de refugiados, as igrejas frequentemente desempenham não apenas o papel de centros religiosos, mas também de locais de encontro da comunidade, apoio emocional e distribuição de assistência humanitária.


A ICC classificou o episódio como uma agressão não provocada realizada dentro de um espaço religioso protegido. A organização destacou que ataques contra igrejas afetam não apenas as vítimas diretas, mas comunidades inteiras que já enfrentam as dificuldades do deslocamento forçado.


Apesar da violência sofrida, Haron reafirmou seu compromisso com a fé cristã.


"Tornar-me cristão vindo de uma família muçulmana coloca a mim e a muitos outros em risco, mas aquilo do qual Deus me libertou vale esse risco", afirmou. "Humanamente existe medo, mas quando me lembro das promessas de Deus em Jesus Cristo, torno-me corajoso e fortalecido."

Liberdade religiosa e novos desafios


Ao contrário do Sudão, onde o islamismo é a religião predominante, o Sudão do Sul possui maioria cristã. Estimativas indicam que cerca de 60% da população se identifica como cristã, enquanto uma parcela significativa segue religiões tradicionais africanas e uma minoria é muçulmana. Desde a independência do país, em 2011, as igrejas desempenham papel importante na vida pública e frequentemente atuam como mediadoras em iniciativas de paz e reconciliação.


O país, em geral, respeita a liberdade religiosa, e episódios de violência motivada por diferenças entre cristãos e muçulmanos são relativamente raros quando comparados a outras regiões da África.


Analistas observam que a maior parte dos conflitos no Sudão do Sul está relacionada a disputas políticas, étnicas e comunitárias, e não a confrontos religiosos diretos.

No entanto, tensões podem surgir dentro das comunidades de refugiados, especialmente entre pessoas que fugiram da guerra civil em curso no Sudão.


Desde o início do conflito sudanês, em abril de 2023, centenas de milhares de refugiados atravessaram a fronteira em direção ao Sudão do Sul. Muitos chegaram carregando traumas profundos, dificuldades econômicas e divisões sociais provocadas pela guerra. O Campo de Refugiados de Gorom, localizado próximo à capital Juba, tornou-se lar de milhares de sudaneses em busca de segurança.


Convertidos enfrentam maior risco


Segundo grupos de defesa da liberdade religiosa, convertidos do islamismo ao cristianismo frequentemente enfrentam pressões específicas. Organizações como a ICC afirmam que esses cristãos podem sofrer hostilidade por parte de familiares, antigos membros de suas comunidades ou outras pessoas que interpretam a conversão como uma rejeição da identidade familiar ou cultural. Em muitos casos, essas tensões têm caráter social e pessoal, e não resultam de políticas governamentais.


Relatórios recentes de organizações cristãs também registraram outros casos envolvendo convertidos sudaneses vivendo no Sudão do Sul. No início deste ano, o Morning Star News informou que um refugiado sudanês no próprio assentamento de Gorom recebeu ameaças de morte após converter-se ao cristianismo. Outros relatos documentam agressões e intimidações contra convertidos que deixaram o Sudão e abraçaram a fé cristã enquanto viviam em campos de refugiados.


O episódio ocorre enquanto líderes cristãos continuam destacando o papel das comunidades de fé na promoção da paz no Sudão do Sul. Durante uma peregrinação ecumênica realizada em 2023, o papa Francisco, o então arcebispo anglicano de Canterbury, Justin Welby, e o moderador da Igreja da Escócia, Iain Greenshields, exortaram líderes e cidadãos sul-sudaneses a rejeitarem a violência e promoverem a reconciliação após anos de guerra civil.


Para Haron, porém, a questão permanece profundamente pessoal. Mesmo depois da agressão, ele pediu orações e apoio, em vez de vingança.


"Peço que sempre se lembrem de nós em suas orações, para que permaneçamos firmes na fé e façamos a vontade de Deus", declarou. "Temos esperança de que um dia nossas famílias muçulmanas também sejam salvas pelo poder do nosso Senhor Jesus Cristo."

Até o momento, os autores da agressão permanecem sem identificação, e nenhuma prisão foi anunciada pelas autoridades


Por Vincent Matinde, em Christian Daily International.

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