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Catástrofe no Himalaia: avalanche de gelo desencadeia destruição no Nepal e no Tibete e atinge comunidades cristãs

  • Foto do escritor: Raphaelson Steven Zilse
    Raphaelson Steven Zilse
  • há 7 dias
  • 7 min de leitura
Um menino observa a devastação causada pelas inundações repentinas no distrito de Nuwakot, no Nepal. Foto por Niranjan Shrestha/AP, em cnn.com. Centenas de pessoas morreram e mais de 1.500 continuam desaparecidas após o colapso de uma enorme massa de gelo e rochas provocar uma devastadora avalanche de lama e uma inundação repentina na fronteira entre o Nepal e o Tibete. Igrejas da região também foram atingidas.
Um menino observa a devastação causada pelas inundações repentinas no distrito de Nuwakot, no Nepal. Foto por Niranjan Shrestha/AP, em cnn.com. Centenas de pessoas morreram e mais de 1.500 continuam desaparecidas após o colapso de uma enorme massa de gelo e rochas provocar uma devastadora avalanche de lama e uma inundação repentina na fronteira entre o Nepal e o Tibete. Igrejas da região também foram atingidas.

Nepal/Tibet (H11) - O que inicialmente parecia ser mais uma inundação repentina nas montanhas do Nepal transformou-se, em questão de horas, em uma das maiores catástrofes já registradas recentemente na região do Himalaia.


Uma gigantesca massa de gelo, rochas e sedimentos despencou de uma região de alta montanha na fronteira entre o Nepal e o Tibete, provocando uma avalanche que bloqueou temporariamente um rio e desencadeou uma enorme onda de água, lama e detritos.

A força da enxurrada devastou comunidades inteiras.


Casas desapareceram. Pontes foram destruídas. Estradas foram arrancadas. Instalações de energia foram danificadas. Turistas, peregrinos, moradores e trabalhadores foram surpreendidos pela violência das águas.


As últimas informações divulgadas pelas autoridades indicam que centenas de pessoas morreram no desastre e que mais de 1.500 continuam desaparecidas nos dois lados da fronteira. Os números ainda variam à medida que corpos são localizados e equipes de resgate conseguem chegar às áreas isoladas. A Associated Press informou, na atualização mais recente, pelo menos 474 mortes confirmadas — 469 no Nepal e cinco na região tibetana da China — além de mais de 1.500 desaparecidos.


Pastor Edson Bruno conversa com Madan sobre o ocorrido, um Nepalese que faz um lindo trabalho na região, com quem já esteve mais de uma vez.

O que realmente aconteceu?


As primeiras informações apontavam para uma inundação repentina, possivelmente causada por chuvas, deslizamentos ou até mesmo por um terremoto.


No entanto, imagens de satélite e análises posteriores permitiram reconstruir uma sequência muito mais dramática.


Uma enorme porção de gelo e rochas se desprendeu nas montanhas próximas ao pico Langtang Lirung, no Himalaia. O colapso atingiu o vale abaixo e lançou uma gigantesca quantidade de gelo, pedras e sedimentos em direção aos sistemas fluviais da região.

Os cientistas agora acreditam que o material desprendido bloqueou temporariamente um curso de água, formando uma espécie de barragem natural. Quando a água conseguiu romper ou ultrapassar essa barreira, uma enorme quantidade de água e detritos foi liberada rio abaixo.


O resultado foi uma parede de lama e água que avançou pelos vales do Himalaia.

Em alguns locais, o nível do rio Trishuli subiu vários metros em um intervalo extremamente curto. As comunidades localizadas às margens dos rios praticamente não tiveram tempo para fugir.


A tragédia atingiu especialmente os distritos nepaleses de Rasuwa e Nuwakot, antes de causar impactos em outras áreas situadas rio abaixo.


Lama cobre um edifício em Nuwakot, no Nepal, nesta quarta-feira. Foto por Safal Prakash Shrestha/Anadolu/Getty Images, em cnn.com
Lama cobre um edifício em Nuwakot, no Nepal, nesta quarta-feira. Foto por Safal Prakash Shrestha/Anadolu/Getty Images, em cnn.com

Uma destruição que ultrapassou a fronteira


O desastre começou nas proximidades da fronteira entre o Nepal e a Região Autônoma do Tibete, administrada pela China.


Do lado nepalês, uma das áreas mais atingidas foi Rasuwa, um distrito montanhoso localizado ao norte de Katmandu e conhecido por sua ligação terrestre com o Tibete.


A região de Rasuwagadhi, próxima à fronteira, é uma rota estratégica de comércio e transporte. Do outro lado está a região tibetana de Gyirong, também conhecida como Kerung.


A destruição, porém, não permaneceu limitada ao ponto inicial do desastre.


A enxurrada avançou pelos sistemas dos rios e atingiu comunidades como Timure, Syabrubesi, Dhunche e Trishuli Bazar, além de áreas do distrito de Nuwakot.


Imagens divulgadas pelas agências internacionais mostram casas parcialmente submersas ou cercadas por enormes quantidades de lama. Em algumas localidades, o curso dos rios foi alterado e grandes áreas anteriormente verdes ficaram cobertas por sedimentos e destroços.


A destruição também atingiu estradas, pontes e instalações de energia.


Uma atualização inicial do governo nepalês informou danos a pelo menos 19 pontes e cerca de 40 quilômetros de estradas, dificultando ainda mais o acesso das equipes de resgate às comunidades isoladas.


Turistas e peregrinos estão entre os desaparecidos


A região atingida não é apenas uma área rural e montanhosa.


Ela faz parte de importantes rotas utilizadas por turistas e peregrinos que viajam pelo Nepal em direção ao Tibete e ao Monte Kailash, um dos lugares mais sagrados para milhões de hindus, budistas, jainistas e seguidores da religião Bon.


No momento da tragédia, centenas de estrangeiros estavam viajando pela região.

As autoridades e agências internacionais informaram que pessoas de mais de 30 países estão entre os desaparecidos. Entre elas estão cidadãos da Índia, Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá e outros países.


Famílias em diferentes partes do mundo agora aguardam notícias de parentes que participavam de viagens e peregrinações.


A situação é especialmente difícil porque muitas estradas foram destruídas, sistemas de comunicação foram interrompidos e algumas regiões continuam acessíveis apenas por helicóptero ou por rotas improvisadas através das montanhas.



Uma vista aérea mostra uma ponte destruída após inundações repentinas em Devighat, no município de Bidur, distrito de Nuwakot, no Nepal, nesta quinta-feira. Foto por Prabin Ranabhat/AFP/Getty Images, em cnn.com
Uma vista aérea mostra uma ponte destruída após inundações repentinas em Devighat, no município de Bidur, distrito de Nuwakot, no Nepal, nesta quinta-feira. Foto por Prabin Ranabhat/AFP/Getty Images, em cnn.com

Um novo perigo: lagos e rios bloqueados pelos destroços


Mesmo depois da passagem da primeira onda de destruição, as autoridades enfrentam um novo problema.


O gigantesco volume de rochas, gelo e sedimentos que desceu pelas montanhas bloqueou partes dos rios e criou áreas de represamento.


Isso significa que enormes quantidades de água podem continuar se acumulando atrás de barreiras naturais.


Se essas barreiras se romperem repentinamente, novas ondas de inundação poderão atingir comunidades localizadas rio abaixo.


Por esse motivo, autoridades nepalesas e equipes científicas passaram a monitorar constantemente o nível da água e a situação das barreiras formadas pelos deslizamentos. A Associated Press e a Reuters relataram que o risco de novas inundações já afetou as próprias operações de busca e resgate.


A crise, portanto, ainda não terminou.


Enquanto equipes procuram sobreviventes e recuperam corpos, milhares de pessoas continuam vivendo sob a ameaça de novos deslizamentos e inundações.


O Himalaia está se tornando mais vulnerável?


Embora os cientistas ainda investiguem os fatores exatos que provocaram o colapso, especialistas têm chamado atenção para a crescente instabilidade das regiões glaciais do Himalaia.


O aquecimento das temperaturas pode acelerar o derretimento do gelo e contribuir para mudanças na estabilidade das geleiras e das encostas de alta montanha.


Imagens de satélite analisadas após o desastre indicam que o evento envolveu não apenas gelo, mas também o colapso de grandes volumes de rochas e do próprio terreno abaixo de uma geleira. Isso transformou o episódio em uma avalanche extremamente complexa, capaz de desencadear uma reação em cadeia nos rios abaixo.


Os especialistas alertam, porém, que ainda é cedo para atribuir diretamente esse evento específico às mudanças climáticas.


O que é cada vez mais evidente, segundo pesquisadores citados pelas agências internacionais, é que o aumento das temperaturas está tornando muitas áreas glaciais do Himalaia mais vulneráveis a eventos extremos.


Igrejas cristãs também foram atingidas


Entre as novas informações mais importantes para a comunidade cristã está a confirmação de que a região afetada possui uma presença cristã real e significativa.


Dados do Censo Nacional do Nepal mostram que o cristianismo está presente tanto em Rasuwa quanto em Nuwakot, os dois principais distritos nepaleses afetados pela catástrofe.

Em Rasuwa, o censo registra 541 cristãos, enquanto o distrito possui uma população predominantemente budista. Em Nuwakot, o levantamento registra 1.481 cristãos. Esses números demonstram que, mesmo em uma região marcada pela forte presença do budismo e das tradições tibetanas, existem comunidades cristãs estabelecidas entre os povos locais.


Organizações missionárias também apontam para uma presença cristã proporcionalmente relevante em Rasuwa, embora os números possam variar conforme a metodologia utilizada.

A população local possui uma forte presença do povo Tamang, um grupo étnico e linguístico profundamente ligado à cultura das montanhas do Himalaia e às tradições budistas. O trabalho cristão nessa região, portanto, acontece em um contexto cultural bastante distinto dos grandes centros urbanos nepaleses.


Duas igrejas teriam sido levadas pelas águas


Uma atualização publicada pela Aliança Evangélica Mundial (World Evangelical Alliance) trouxe informações preocupantes sobre o impacto direto da tragédia sobre as comunidades cristãs.


Segundo líderes e organizações parceiras que trabalham no Nepal, a área de Timure, em Rasuwa, possuía seis igrejas conhecidas na região antes da catástrofe.


De acordo com os primeiros relatos recebidos, duas dessas igrejas teriam sido arrastadas pelas águas.


A mesma atualização menciona relatos de que mais de 125 cristãos podem ter morrido, mas a informação ainda depende de confirmação, pois muitas pessoas continuam desaparecidas e várias comunidades permanecem isoladas.


Por essa razão, o número não deve ser tratado, neste momento, como balanço oficial definitivo.


Organizações cristãs nepalesas já começaram a mobilizar equipes de emergência.

Segundo a Aliança Evangélica Mundial, líderes da National Christian Fellowship Nepal e da Nepal Christian Society iniciaram esforços para avaliar os danos e levar assistência às comunidades atingidas.


Equipes foram enviadas a partir de Katmandu, enquanto grupos locais trabalham para conseguir autorização e acesso às áreas mais isoladas. Uma equipe de resgate e assistência médica também foi preparada para atuar na região.


Uma oportunidade para a Igreja servir


Em meio a uma catástrofe dessa dimensão, as comunidades religiosas frequentemente se tornam importantes pontos de apoio.


Igrejas locais conhecem as famílias, os idiomas, as estradas e as necessidades das comunidades.


Elas também podem ajudar a identificar desaparecidos, organizar alimentos, distribuir suprimentos e oferecer apoio emocional e espiritual às pessoas que perderam parentes e casas.


O desafio no Nepal, entretanto, é enorme.


Muitas comunidades atingidas estão localizadas em regiões montanhosas de difícil acesso. Algumas estradas desapareceram sob a lama. Pontes foram destruídas. O risco de novos deslizamentos continua presente.


A necessidade mais urgente agora é salvar vidas.


Mas, quando as operações de resgate terminarem, começará uma segunda fase igualmente difícil: a reconstrução de casas, comunidades, escolas, estradas e locais de culto.


Um apelo à oração pelo Nepal


A tragédia que atingiu o Nepal e o Tibete não é apenas uma estatística.


Por trás de cada número existem famílias.


Existem crianças que perderam os pais.


Existem moradores que perderam suas casas.


Existem turistas cujas famílias ainda não sabem se estão vivos.


Existem igrejas que perderam membros.


E existem comunidades inteiras que podem ter desaparecido sob toneladas de lama, pedras e gelo.


O H11 Sem Fronteiras convida os cristãos a orarem:

  • Ore pelas famílias das centenas de vítimas.

  • Ore pelos mais de 1.500 desaparecidos e por aqueles que ainda podem ser encontrados com vida.

  • Ore pelas equipes de resgate que trabalham em condições extremamente perigosas.

  • Ore pelas comunidades cristãs de Rasuwa, Timure, Syabrubesi, Nuwakot e outras áreas afetadas.

  • Ore pelas igrejas que foram destruídas ou perderam membros.

  • Ore pelos povos do Himalaia e pelos cristãos que servem em regiões remotas e de difícil acesso.

  • Ore para que a ajuda humanitária consiga chegar rapidamente às comunidades isoladas.


Enquanto o Nepal e o Tibete enfrentam uma das mais graves catástrofes recentes da região, as buscas continuam.


O número final de vítimas ainda é desconhecido.

As montanhas continuam instáveis.

Os rios continuam sendo monitorados.

E milhares de pessoas ainda aguardam notícias.


No meio da lama, da destruição e do luto, a necessidade mais urgente é por vidas salvas — e por uma resposta humanitária capaz de alcançar até mesmo as comunidades mais isoladas do Himalaia.


Por Raphaelson Steven, H11 Notícias.

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