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Após libertação de Ezra Jin, pastor Wang Lin permanece preso e simboliza continuidade da repressão contra a Igreja Zion na China

  • Foto do escritor: Raphaelson Steven Zilse
    Raphaelson Steven Zilse
  • 10 de jul.
  • 4 min de leitura
Pastor Wang Lin, da Igreja Zion de Pequim, que ainda permanece detento junto com outros líderes.
Pastor Wang Lin, da Igreja Zion de Pequim, que ainda permanece detento junto com outros líderes.

A recente libertação do pastor Ezra Jin Mingri, fundador da Igreja Zion de Pequim, foi recebida por cristãos ao redor do mundo como um raro sinal de esperança em meio à intensa perseguição religiosa promovida pelo governo chinês.


No entanto, embora Jin tenha deixado a prisão, a situação da Igreja Zion está longe de ser resolvida.


Entre os líderes que permanecem encarcerados está o pastor Wang Lin, cuja prisão tornou-se um dos principais símbolos da continuidade da campanha das autoridades contra uma das mais influentes redes de igrejas domésticas da China.


A libertação de Ezra Jin marcou o fim de um longo período de detenção, mas não representou o encerramento do processo judicial iniciado contra a liderança da igreja. Pelo contrário, diversos pastores e cooperadores continuam presos, enfrentando acusações criminais que organizações internacionais de direitos humanos e de liberdade religiosa classificam como motivadas pela repressão estatal às comunidades cristãs independentes.


Foi justamente Wang Lin quem se tornou o primeiro alvo da nova ofensiva governamental.


Em 9 de outubro de 2025, o pastor de 42 anos foi preso durante uma grande operação policial realizada contra a Igreja Zion. As autoridades o acusaram de "utilizar ilegalmente uma rede de informações", uma referência ao fato de a igreja realizar cultos, estudos bíblicos e atividades pastorais por meio da internet. A acusação prevê pena de até três anos de prisão.


A prisão de Wang deu início à maior ação repressiva contra cristãos chineses desde o fechamento da própria Igreja Zion em 2018. Durante a operação realizada em meados de outubro de 2025, aproximadamente trinta líderes da igreja foram detidos. Atualmente, dezessete continuam presos, incluindo Wang Lin, enquanto respondem a processos conduzidos pelas autoridades chinesas.


Em declaração divulgada poucos dias após as prisões, os líderes da Igreja Zion afirmaram que os detidos não cometeram qualquer crime.

"Sua única 'ofensa' foi adorar a Deus pacificamente, pregar fielmente o evangelho, pastorear o rebanho e servir ao próximo."

Um pastor preparado para servir


Antes de ingressar no ministério cristão em tempo integral, Wang Lin construiu carreira como advogado. Posteriormente dedicou-se aos estudos teológicos e, em 2017, concluiu o doutorado em Teologia do Antigo Testamento no Wheaton College, nos Estados Unidos, uma das mais reconhecidas instituições evangélicas de ensino superior do mundo.


Ao retornar à China, passou a integrar a liderança ministerial da Igreja Zion, colaborando com Ezra Jin Mingri no crescimento de uma comunidade que já reunia milhares de cristãos em Pequim.


Fundada em 2007, a Igreja Zion tornou-se uma das maiores igrejas domésticas urbanas do país, alcançando cerca de 1.500 membros antes de ser oficialmente fechada pelas autoridades em setembro de 2018. Na época, a igreja recusou-se a aderir ao sistema estatal de controle das organizações religiosas, tornando-se um dos casos mais conhecidos da crescente política de restrição à liberdade religiosa na China.


Mesmo após o fechamento do templo, a igreja permaneceu ativa. Durante a pandemia de Covid-19, seus encontros migraram para plataformas digitais e pequenos grupos distribuídos em diferentes locais, chegando a reunir aproximadamente 10 mil participantes em reuniões online e presenciais descentralizadas.


Foi justamente essa adaptação que, anos depois, passou a ser utilizada pelas autoridades como fundamento para as acusações apresentadas contra Wang Lin e outros líderes.


Família também sofreu perseguição


A pressão governamental não atingiu apenas o pastor.

Segundo membros da igreja, desde junho de 2025 Wang Lin e sua família passaram a sofrer sucessivas ações de intimidação promovidas por órgãos de segurança pública e departamentos de assuntos religiosos.


Os proprietários dos imóveis onde a família se instalava eram pressionados pelas autoridades para cancelar os contratos de aluguel, obrigando constantes mudanças de residência. Além disso, a educação dos dois filhos pequenos foi repetidamente interrompida em consequência das perseguições.


Após a prisão de Wang Lin, sua esposa, Su Ziming, recebeu uma proibição oficial para deixar o território chinês. Em novembro de 2025, ela também foi presa sob a mesma acusação relacionada ao uso de plataformas digitais para atividades da igreja. Embora tenha sido posteriormente libertada, pessoas próximas ao caso acreditam que sua detenção teve como principal objetivo aumentar a pressão psicológica sobre o pastor e obter confissões que fortalecessem a acusação contra os demais líderes da Igreja Zion.


A libertação de Ezra Jin não encerrou a crise


Nas últimas semanas, a libertação de Ezra Jin Mingri despertou expectativa entre organizações cristãs internacionais de que outros presos também fossem beneficiados. Entretanto, a permanência de Wang Lin e de diversos líderes atrás das grades demonstra que a campanha contra a Igreja Zion continua ativa.


Enquanto Ezra Jin recupera sua liberdade, Wang Lin permanece encarcerado aguardando os desdobramentos do processo judicial, tornando-se hoje um dos principais rostos da perseguição enfrentada pelas igrejas domésticas chinesas.


Diversas organizações de apoio à Igreja Perseguida afirmam que o caso evidencia uma mudança na estratégia das autoridades chinesas. Em vez de apenas fechar templos físicos, o governo passou a direcionar seus esforços para a responsabilização criminal de líderes religiosos e para o controle das atividades realizadas em ambientes digitais, especialmente aquelas que escapam da supervisão estatal.


Um pedido de oração


Os líderes da Igreja Zion continuam pedindo orações pela vida de Wang Lin, de sua esposa Su Ziming, de seus dois filhos e dos demais cristãos presos.


Em sua mensagem à igreja mundial, eles solicitaram que os cristãos intercedam para que Deus fortaleça aqueles que permanecem encarcerados, conceda perseverança às suas famílias e sustente a comunidade cristã chinesa diante das dificuldades.


O pedido termina com uma oração que resume a esperança daqueles que continuam enfrentando a prisão por causa da fé:

"Que aqueles que estão acorrentados por Cristo sejam completamente livres em Cristo."

Por H11 Notícias e prisionersoffaith.org

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"Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem"
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