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Burkina Faso


População total
23.859.000
População não alcançada
5.680.000 (23,8%)
População não alcançada de fronteira
525.000 (2,2%)
Grupos de povos
77
Grupos de povos não alcançados
27 (35,1%)
Grupos de povos não alcançadas de fronteira
5 (6,5%)
Cristãos aderentes
21,1%
Escala de progresso

Grupo étnico-linguístico | Língua primária | Religião primária | Quantidade de cristãos | Tradução da Bíblia |
|---|---|---|---|---|
Karaboro | Religiões étnicas | 5-10% | Somente Porções, necessita tradução completa | |
Marka | Religiões étnicas | 2-5% | Somente Porções, necessita tradução completa | |
Lobi | Religiões étnicas | 10-50% | Somente Porções, necessita tradução completa | |
Nuni | Religiões étnicas | 10-50% | Possui o Novo Testamento; Necessita tradução do Antigo Testamento | |
Senouf | Religiões étnicas | 5-10% | Somente Porções, necessita tradução completa |
CONTEXTO HISTÓRICO-SOCIAL

Antes de existir como Burkina Faso, a região era habitada por diversos povos africanos, principalmente os mossi, considerados o grupo étnico mais numeroso até hoje. Além deles, viviam na área povos como fulani (peul), bobo, lobi, gurunsi, senoufo e tuaregues. Essas sociedades eram organizadas em reinos, chefaturas e comunidades agrícolas, baseadas no cultivo de sorgo, milhete e na criação de gado.
Os reinos mossi, formados entre os séculos XI e XV, destacaram-se por sua estabilidade política e resistência à expansão islâmica. O mais importante foi o Reino de Ouagadougou, que deu origem à atual capital. Esses reinos mantinham forte tradição oral, com reis (moro-naba), conselhos de anciãos e rituais religiosos.
Religiosamente, predominavam as crenças tradicionais africanas, com culto aos ancestrais, espíritos da natureza e uso de máscaras rituais. A cultura era marcada por danças, esculturas em madeira, música e cerimônias agrícolas. Entre os pontos positivos desse período estão a organização social comunitária e o equilíbrio com o meio ambiente.
Por outro lado, havia conflitos frequentes entre reinos, escravidão interna e guerras por territórios. A ausência de um Estado central forte facilitou posteriormente a dominação colonial europeia. Ainda assim, essas sociedades formaram a base cultural profunda da identidade burquinense. (Foto por Rita Willaert, em ancient-origins.net)

A partir do século XIV, o islamismo começou a se expandir na região através de comerciantes e estudiosos vindos do norte e do oeste africano, especialmente ligados aos grandes impérios do Mali e Songhai. O islã se difundiu principalmente entre comerciantes, elites urbanas e povos como os fulani.
O comércio transaariano conectou a região ao mundo islâmico, permitindo trocas de sal, ouro, tecidos e escravos. Algumas cidades tornaram-se centros comerciais e religiosos, embora a maioria da população permanecesse rural e ligada às tradições locais.
Entre os aspectos positivos, destaca-se a ampliação das redes comerciais, o acesso à escrita árabe e a integração cultural com outras regiões africanas. Surgiram escolas corânicas e novas formas de organização social.
Porém, o islamismo não substituiu completamente as religiões tradicionais. Houve conflitos culturais, resistência local e disputas entre muçulmanos e comunidades tradicionais. Além disso, o comércio de escravos gerou sofrimento e desestruturação social.
Religiosamente, formou-se um pluralismo que ainda existe hoje: islamismo, religiões tradicionais africanas e, mais tarde, cristianismo. Essa diversidade é uma das características centrais do Burkina Faso contemporâneo. (Foto em bbc.com)

No final do século XIX, a região foi conquistada pela França e incorporada ao Império Colonial Francês como parte da África Ocidental Francesa. Em 1919, foi criada a colônia da Alta Volta, nome imposto pelos colonizadores.
A colonização trouxe construção de estradas, escolas e estruturas administrativas, mas com objetivo principal de exploração econômica. A população foi submetida a trabalho forçado, impostos pesados e recrutamento militar. Muitos homens eram enviados para trabalhar em outras colônias francesas.
Culturalmente, o francês foi imposto como língua oficial, enquanto línguas locais eram marginalizadas. O cristianismo foi difundido por missionários, especialmente entre populações não muçulmanas.
Os aspectos negativos da colonização foram profundos: perda de autonomia, destruição de sistemas tradicionais e pobreza estrutural. Como ponto positivo limitado, houve formação de uma pequena elite escolarizada, que futuramente lideraria movimentos políticos.
A identidade da Alta Volta foi moldada mais por interesses coloniais do que por unidade cultural real, o que gerou dificuldades na construção do Estado após a independência. (Pintura por Ignace Bonhommé, em iscover-burkinafaso)

Em 1960, a Alta Volta conquistou sua independência da França. Em 1984, o país foi renomeado Burkina Faso, que significa “Terra dos Homens Íntegros”, sob a liderança de Thomas Sankara. Ele promoveu reformas profundas, como campanhas de alfabetização, vacinação, valorização da cultura local e direitos das mulheres.
Entre os pontos positivos do período pós-colonial estão o fortalecimento da identidade nacional, a valorização das línguas e culturas africanas e avanços sociais. O país tornou-se símbolo de resistência ao neocolonialismo.
Por outro lado, o Burkina Faso enfrentou golpes de Estado, instabilidade política, pobreza extrema e dependência econômica externa. A morte de Sankara em 1987 marcou o fim de um projeto revolucionário promissor.
Hoje, a população é majoritariamente rural e jovem. Os principais grupos étnicos continuam sendo os mossi, fulani, bobo, lobi e gurunsi. Religiosamente, o país é dividido entre muçulmanos, cristãos e seguidores de religiões tradicionais.
Os maiores desafios atuais são o terrorismo, a insegurança, a pobreza e a fragilidade institucional. Ainda assim, o Burkina Faso mantém uma identidade cultural rica e um forte senso comunitário. (Foto por Wendkouni, em commons.wikimedia.org)
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