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Trabalhadora cristã de assistência humanitária permanece detida nas Montanhas Nuba, no Sudão

Foto do escritor: Raphaelson Steven Zilse
Raphaelson Steven Zilse
24 de ago.
5 min de leitura
Como ressaltado pelo Instituto da Mulher, Paz e Segurança de Georgetown (Institute for Women, Peace and Security), é extremamente alarmante a notícia da detenção de Nagwa Musa Konda, uma respeitada ativista sudanesa pelos direitos das mulheres e defensora da paz com quem o Instituto já fez diversos trabalhos sociais importantes. Foto e comentário no instagram da Georgetown Institute for Women, Peace and Security.
Como ressaltado pelo Instituto da Mulher, Paz e Segurança de Georgetown (Institute for Women, Peace and Security), é extremamente alarmante a notícia da detenção de Nagwa Musa Konda, uma respeitada ativista sudanesa pelos direitos das mulheres e defensora da paz com quem o Instituto já fez diversos trabalhos sociais importantes. Foto e comentário no instagram da Georgetown Institute for Women, Peace and Security.

Sudão (ChristianDaily) - Uma trabalhadora cristã de assistência humanitária, presa por militantes rebeldes nas Montanhas Nuba, no Sudão, há cinco meses, continua em cativeiro, segundo informou sua família.


No estado de Cordofão do Sul, familiares fizeram um apelo urgente pela libertação de Najwa Musa Konda, cuja irmã, Zakia Musa Konda, estava entre quatro trabalhadores humanitários da organização Samaritan’s Purse detidos no início deste mês por rebeldes do Exército de Libertação do Povo do Sudão-Norte (SPLA-N) e libertados dois dias depois, segundo fontes locais.


Localização do estado de Cordofão do Sul, no Sudão. Mapa: TUBS, Creative Commons.
Localização do estado de Cordofão do Sul, no Sudão. Mapa: TUBS, Creative Commons.

Najwa Musa Konda, trabalhadora da Organização de Assistência, Reabilitação e Desenvolvimento de Nuba, em Kauda, e membro da Igreja Episcopal do Sudão, foi detida em 1º de abril enquanto viajava das Montanhas Nuba em direção ao Sudão do Sul.

Militantes do SPLA-N interceptaram o veículo em que ela viajava e revistaram seus pertences, confiscando um caderno pessoal que continha anotações manuscritas críticas à liderança militar regional.


Transferida entre pelo menos dois centros de detenção diferentes na região, Najwa Musa Konda permanece sem qualquer contato com familiares ou representantes legais.


“Não ouvimos nada dela desde sua prisão porque estamos estritamente proibidos de visitá-la”, disse um parente à Morning Star News, sob condição de anonimato devido a preocupações com a segurança.

A família está pedindo aos líderes do SPLA-N que garantam sua segurança e faz um apelo a grupos de defesa dos direitos humanos da região para que intervenham e contribuam para a libertação de Najwa Musa Konda, detida em meio a uma crescente repressão contra instituições religiosas e organizações humanitárias que atuam em Cordofão do Sul.


Líderes cristãos também foram sequestrados


Dois líderes da igreja foram recentemente sequestrados e posteriormente libertados.

O Rev. Yaqob Ibrahim Tia e Zakaria Suliman Jana, ambos importantes líderes de uma congregação da Igreja de Cristo Sudanesa (SCOC) em Heiban, no estado de Cordofão do Sul, foram libertados em 28 de julho e 1º de agosto, respectivamente, segundo cristãos da região.


Membros dissidentes do SPLA-N teriam sido responsáveis pelos sequestros.


O pastor Tia foi libertado juntamente com seus familiares: dois filhos, de 17 e 20 anos, um sobrinho de 15 anos e Daniel Ibrahim Tia, irmão do padre católico Fadi Ibrahim Tia. Fadi também é irmão do pastor Yaqob Ibrahim Tia.


O pastor Jana foi sequestrado na manhã de 31 de julho, após o sequestro do pastor Yaqob Ibrahim Tia, ocorrido em 23 de julho.


Os sequestros parecem fazer parte de uma crescente onda de ataques contra líderes cristãos na conturbada região. Embora a área controlada pelo SPLA-N esteja fechada à imprensa, informações que conseguiram sair indicam que o conflito já deslocou centenas de pessoas, a maioria delas mulheres, crianças e idosos.


Em 24 de julho, uma milícia dissidente do SPLA-N matou a tiros o pastor episcopal Adel Idris Jongool, na Unidade Administrativa de Dabi, no distrito de Heiban.


Os ataques contra cristãos ocorrem em meio ao conflito armado entre o SPLA-N, grupos dissidentes e outras forças.


A violência segue o assassinato, em 19 de junho, de um padre católico e de um de seus guardas na paróquia da Santa Cruz, em Kauda, Cordofão do Sul, pelas mesmas forças dissidentes. Outro guarda também foi baleado, mas sobreviveu e recebeu tratamento hospitalar.


Uma nova frente de conflito


As Montanhas Nuba, tradicional reduto do SPLA-N, que há décadas combate as forças de Cartum, permaneceram em grande parte fora do conflito militar que eclodiu no Sudão em abril de 2023.


No entanto, uma nova frente de combate surgiu na região depois que o SPLA-N se aliou às Forças de Apoio Rápido (RSF) contra as Forças Armadas Sudanesas (SAF).

Também surgiram facções armadas nas Montanhas Nuba que passaram a combater o SPLA-N, resultando em mortes e no deslocamento de civis.


Tanto as RSF quanto as SAF são descritas como forças de orientação islamista e já foram acusadas de atacar cristãos deslocados, sob acusações de que apoiariam os combatentes do lado adversário.


De acordo com o Joshua Project, o Sudão tem uma população composta por cerca de 93% de muçulmanos, enquanto os adeptos de religiões tradicionais étnicas representam 4,3%, e os cristãos correspondem a aproximadamente 2,3% da população.


Guerra já matou dezenas de milhares e deslocou milhões


O conflito entre as RSF e as SAF, que haviam compartilhado o poder militar no Sudão após o golpe de outubro de 2021, tem aterrorizado civis em Cartum e em outras regiões do país.

Segundo informações atribuídas ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o conflito já matou dezenas de milhares de pessoas e provocou o deslocamento de mais de 12 milhões de pessoas, dentro e fora das fronteiras do Sudão.


O general Abdelfattah al-Burhan, líder das SAF, e seu então vice-presidente, Mohamed Hamdan Dagalo, líder das RSF, estavam no poder quando partidos civis concordaram, em março de 2023, com uma estrutura para restabelecer uma transição democrática no mês seguinte.


Entretanto, divergências sobre a estrutura das forças militares impediram a aprovação final do acordo.


Burhan buscava colocar as RSF — uma força paramilitar com raízes nas milícias Janjaweed, utilizadas pelo ex-ditador Omar al-Bashir contra grupos rebeldes — sob o controle do Exército regular em um período de dois anos. Dagalo, por sua vez, aceitaria a integração em um prazo não inferior a dez anos.


Ambos os líderes militares possuem histórico ligado ao islamismo político, embora tenham procurado se apresentar à comunidade internacional como defensores da democracia e da liberdade religiosa.


Sudão está entre os países mais difíceis para os cristãos


O Sudão ocupa a 4ª posição entre os 50 países onde é mais difícil viver como cristão, segundo a Lista Mundial da Perseguição 2026, da Portas Abertas.


O país havia deixado o grupo dos dez primeiros colocados pela primeira vez em seis anos quando alcançou a 13ª posição em 2021.


Após dois anos de avanços na liberdade religiosa, depois do fim da ditadura islamista de Omar al-Bashir, em 2019, o temor da perseguição patrocinada pelo Estado voltou a crescer com o golpe militar de 25 de outubro de 2021.


Depois da queda de Bashir, que permaneceu 30 anos no poder, o governo civil-militar de transição conseguiu revogar algumas disposições da sharia, a lei islâmica.


O governo proibiu, por exemplo, que qualquer grupo religioso fosse oficialmente classificado como “infiel”, revogando efetivamente as leis de apostasia que estabeleciam a pena de morte para quem abandonasse o islamismo.


Com o golpe de 25 de outubro de 2021, porém, os cristãos sudaneses voltaram a temer o retorno dos aspectos mais repressivos e severos da legislação islâmica.


Em 2019, o Departamento de Estado dos Estados Unidos retirou o Sudão da lista de Países de Preocupação Particular, categoria destinada a nações envolvidas ou tolerantes a “violações sistemáticas, contínuas e graves da liberdade religiosa”, colocando o país em uma lista de monitoramento.


O Sudão havia sido designado como País de Preocupação Particular entre 1999 e 2018. Em dezembro de 2020, o Departamento de Estado também retirou o país de sua Lista Especial de Monitoramento.


Por Morning Star News, Christian Daily International.

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