Terroristas islâmicos atacam três vilas no nordeste da Nigéria

Nigéria (Morning Star News) - Suspeitos de terrorismo islâmico atacaram três vilas predominantemente cristãs no estado de Adamawa, na Nigéria, na quinta-feira (8 de outubro), matando pelo menos uma pessoa e incendiando ao menos um prédio de igreja, segundo fontes.
Os agressores atacaram as vilas de Tela-Bala, Guyaku e Sabon Gari, na Área de Governo Local de Gombi, informou o morador da região Wreforce Hassan Usman.
“Acordei nesta manhã com o coração partido ao saber que o Boko Haram atacou algumas de nossas comunidades cristãs em Gombi”, afirmou Usman em uma mensagem de texto enviada ao Christian Daily International–Morning Star News. “Os ataques resultaram no incêndio de igrejas, casas, lojas, hospitais e outras propriedades valiosas, além da trágica morte de algumas pessoas de nossa comunidade.”
Os terroristas mataram uma pessoa e incendiaram um prédio de igreja em Tela-Bala, no distrito de Guyaku, segundo o veículo Sahara Reporters, que acrescentou que um carro e outras propriedades também foram queimados.
Usman disse ao Christian Daily International–Morning Star News que o aumento da insegurança na Área de Governo Local de Gombi é alarmante e exige uma intervenção urgente e decisiva do governo.
“Isso é profundamente doloroso e inaceitável”, afirmou. “Nosso povo merece viver em paz, dormir sem medo e realizar suas atividades cotidianas sem a ameaça da violência. Quantas vidas mais precisarão ser perdidas antes que essa situação receba a atenção séria que merece? Nosso povo está clamando por ajuda, e não podemos permanecer em silêncio enquanto nossas comunidades continuam sofrendo. Nosso povo merece paz. Nossas comunidades merecem proteção. E nosso governo precisa agir agora.”
Na noite de quinta-feira (8 de outubro), o Christian Daily International–Morning Star News entrou em contato com Hossana Dauda, moradora da região.
“Orem pela minha vila, Tela-Bala, e pelas outras vilas, Guyaku e Sabon Gari, que estão sendo atacadas neste momento por terroristas do Boko Haram e do ISWAP [Estado Islâmico na Província da África Ocidental]”, escreveu ela em uma mensagem de texto. “Deus, tenha misericórdia do meu povo.”
O morador Dishon Balda afirmou que a vila de Guyaku foi atacada por terroristas do Boko Haram.
“O ataque resultou em perda de vidas e danos a instalações comunitárias importantes, incluindo uma igreja, residências e uma clínica”, disse Balda ao Christian Daily International–Morning Star News. “O incidente levantou sérias preocupações quanto à segurança dos moradores e à destruição de instalações essenciais que atendem à comunidade. O povo de Guyaku precisa de atenção urgente, segurança adequada e apoio para se recuperar desse triste acontecimento.”
Ele pediu às autoridades competentes que investiguem o ataque, reforcem a segurança e forneçam a assistência necessária aos moradores afetados.
O Boko Haram, oficialmente conhecido como Jamā’at Ahl as-Sunnah lid-Da’wah wa’l-Jihād, busca impor a sharia (lei islâmica) em toda a Nigéria. O grupo militante jihadista, sediado no nordeste do país, sofreu uma divisão em 2016, que resultou no surgimento do Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP).
Durante muito tempo, o nome Boko Haram foi traduzido como “a educação ocidental é proibida”, mas o próprio grupo afirma que a tradução correta seria “a civilização ocidental é proibida”. Os insurgentes do Boko Haram acreditam que outros muçulmanos que não se juntam à sua jihad são infiéis e, por isso, justificam também o assassinato dessas pessoas, assim como daqueles que consideram “apóstatas”.
Essa posição é considerada parte do jihadismo salafista radical, mas não representa a corrente predominante do islamismo.
O legislador Rufa’i Umar, representante de Gombi na Assembleia Legislativa do estado de Adamawa, declarou em um comunicado à imprensa na sexta-feira (9 de outubro) que os moradores da região merecem viver em paz, sem medo.
“Este é, de fato, um momento muito triste para todos nós”, afirmou Umar. “Compartilho a dor de vocês e estou ao lado de todos neste período tão doloroso. A perda de vidas inocentes é uma perda para todos nós em Gombi. Faço um apelo ao governo e a todas as agências de segurança competentes para que reforcem urgentemente a estrutura de segurança ao redor da Área de Governo Local de Gombi, a fim de evitar que uma tragédia como essa volte a acontecer.”
Terroristas não identificados já haviam atacado Tela-Bala em abril. O Sahara Reporters citou o governador de Adamawa, Ahmadu Umaru Fintiri, que confirmou a morte de 29 pessoas que estavam reunidas para assistir a uma partida de futebol.
Mais cristãos foram mortos na Nigéria do que em qualquer outro país entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025, segundo a Lista Mundial da Perseguição 2026, da organização Open Doors. Das 4.849 pessoas mortas em todo o mundo por causa de sua fé cristã durante esse período, 3.490 - 72% do total - eram nigerianas, um aumento em relação às 3.100 registradas no ano anterior.
A Nigéria é formalmente um país laico, ou seja, não privilegia uma religião específica, e está em busca - com muita dificuldades - de um diálogo e tolerância interreligiosa (mesmo que na prática seja algo estremamente difícil). Mesmo assim, ficou em 7º lugar na Lista Mundial da Perseguição, que reúne os 50 países onde é mais difícil ser cristão.
Por Morning Star News e Christian Daily Intenational.




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