Terremoto de magnitude 7,4 deixa centenas de vítimas e provoca destruição no oeste da Colômbia

Colômbia - Um dos terremotos mais fortes já registrados na Colômbia neste século atingiu o oeste do país na manhã de segunda-feira, 10 de agosto, provocando mortes, desabamentos, interrupção de serviços essenciais e uma ampla operação de busca e resgate.
O Serviço Geológico Colombiano (SGC) confirmou que o terremoto teve magnitude 7,4, ocorreu às 7h34 da manhã, no horário local, e teve seu epicentro nas proximidades do município de San José del Palmar, no departamento de Chocó, a uma profundidade de aproximadamente 103 quilômetros. Segundo o órgão, trata-se do maior evento sísmico registrado na Colômbia no século XXI.
A força do terremoto foi sentida em grande parte do território colombiano e também houve relatos de tremores no Panamá e na Venezuela. Mais de 12 mil pessoas, distribuídas por cerca de 900 localidades, haviam informado ao SGC que sentiram o terremoto nas primeiras horas após o evento.
Número de mortos continua aumentando
As equipes de emergência entraram nesta terça-feira, 11 de agosto, no segundo dia de buscas entre prédios destruídos e estruturas danificadas.
O balanço mais recente divulgado pela Reuters aponta pelo menos 164 mortos, número que pode aumentar à medida que os socorristas avançam sobre áreas ainda inacessíveis. A agência informou que 85 mortes ocorreram em Cali, enquanto 66 foram registradas em Pereira e outras 13 no departamento de Chocó.
Outras fontes ainda trabalhavam com números diferentes devido à rapidez com que os levantamentos estavam sendo atualizados. A Associated Press havia registrado pelo menos 111 mortos e mais de 2.700 pessoas dadas como desaparecidas, além de aproximadamente 1.600 edifícios danificados ou destruídos.
A diferença entre os balanços evidencia que a situação permanece em desenvolvimento e que novas vítimas podem ser encontradas durante as operações de resgate.
Cali e Pereira entre as cidades mais atingidas
Em Cali, uma das maiores cidades do país, edifícios residenciais e comerciais sofreram graves danos. Parte de um hospital desabou, inclusive áreas destinadas ao atendimento pediátrico.
Segundo a Reuters, cerca de 600 pacientes precisaram ser atendidos do lado de fora da unidade hospitalar, enquanto equipes de emergência trabalhavam para retirar pessoas presas nas estruturas danificadas.
Em Pereira, capital do departamento de Risaralda, quarteirões inteiros foram reduzidos a escombros. Imagens verificadas por agências internacionais mostraram o aeroporto da cidade balançando violentamente durante o terremoto, com partes do teto desabando.
A destruição também atingiu Manizales, Quibdó, Armenia e outras cidades e municípios do oeste colombiano. Em Manizales, uma das torres de uma catedral histórica sofreu danos.
No município de El Cairo, próximo à região do epicentro, autoridades informaram que aproximadamente 80% das construções foram afetadas, aumentando a preocupação com comunidades rurais que possuem acesso limitado por estradas.

Chocó: uma das maiores preocupações humanitárias
O departamento de Chocó, onde está localizado o epicentro, enfrenta desafios adicionais para a chegada da ajuda.
A região está entre as áreas mais pobres e isoladas da Colômbia, e várias comunidades podem ser alcançadas somente por barco, avião ou através de áreas de floresta. Essa realidade dificulta o levantamento dos danos e a chegada rápida de equipes de emergência.
O presidente colombiano Abelardo de la Espriella, que havia assumido o cargo poucos dias antes do desastre, deslocou-se para Quibdó e determinou a mobilização das forças militares, policiais, equipes de engenharia, cães de busca e especialistas em resgate.
O governo também anunciou medidas de assistência para pessoas cujas casas foram destruídas ou ficaram impossibilitadas de ser utilizadas.
Réplicas mantêm população em alerta
O terremoto principal foi seguido por dezenas de movimentos sísmicos.
Em seu primeiro balanço, o Serviço Geológico Colombiano havia registrado 18 réplicas, com magnitudes entre 1,4 e 4,8. O órgão alertou que novas réplicas podem ocorrer durante dias, semanas ou até meses.
Apesar da preocupação da população, especialistas ressaltam que não existe atualmente um método cientificamente comprovado capaz de prever exatamente quando ocorrerá um terremoto ou uma réplica.
O SGC mantém sua rede de monitoramento funcionando continuamente e orienta a população a acompanhar exclusivamente os canais oficiais para informações sobre novos tremores.
Por que o terremoto foi tão forte?
O terremoto ocorreu em uma região de intensa atividade tectônica. Segundo o Serviço Geológico Colombiano, no Pacífico colombiano ocorre o processo conhecido como subducção, no qual a placa de Nazca se movimenta sob a placa Sul-Americana.
Esse processo acumula e libera grandes quantidades de energia, produzindo terremotos.
Embora o epicentro tenha ocorrido a mais de 100 quilômetros de profundidade, o terremoto foi sentido em uma extensa área justamente por causa de sua grande magnitude. O SGC explicou que, em eventos dessa intensidade, a energia liberada é suficiente para produzir fortes efeitos mesmo a grandes profundidades.
Uma operação de resgate contra o tempo

Durante a noite de segunda-feira e as primeiras horas de terça-feira, soldados, bombeiros, policiais, equipes especializadas, voluntários e moradores trabalharam juntos para procurar sobreviventes.
Em alguns pontos, máquinas pesadas foram utilizadas. Em outros, os próprios moradores removeram pedaços de concreto e escombros com as mãos para tentar alcançar pessoas presas.
Equipes de resgate conseguiram retirar sobreviventes de estruturas destruídas, enquanto familiares permanecem em busca de informações sobre pessoas desaparecidas.
A Associated Press relatou que famílias passaram a utilizar plataformas criadas por cidadãos para registrar nomes e informações de pessoas que ainda não haviam sido localizadas.
Água, energia e comunicação também foram afetadas
Além das mortes e dos desabamentos, o terremoto provocou interrupções em serviços básicos.
Em diferentes áreas de Cali foram registrados problemas no fornecimento de energia elétrica e água, enquanto as redes de comunicação ficaram congestionadas ou interrompidas.
A organização humanitária World Vision informou que ativou seu comitê de emergência e iniciou a avaliação das necessidades da população afetada. A organização também relatou que seus colaboradores na região estavam acompanhando a situação e que algumas áreas permaneciam sem eletricidade, água e comunicação adequada.
A igreja diante da dor
Para as comunidades cristãs colombianas, o desastre representa também um chamado à solidariedade prática.
Em situações como essa, igrejas locais podem desempenhar um papel importante ao oferecer abrigo, alimentos, água, apoio às famílias, acolhimento emocional, oração e assistência às comunidades mais vulneráveis.
A resposta cristã à tragédia não deve se limitar às palavras. Em meio aos escombros, a compaixão precisa assumir forma concreta: uma refeição entregue, uma família acolhida, um voluntário trabalhando no resgate, uma pessoa desaparecida sendo procurada ou alguém enlutado encontrando uma comunidade disposta a permanecer ao seu lado.
A World Vision, organização cristã humanitária, já mobilizou sua estrutura de emergência para avaliar as necessidades e preparar uma resposta à crise.
Para o H11 Sem Fronteiras, esse é também um momento para lembrar que a solidariedade cristã atravessa fronteiras. O sofrimento das famílias colombianas deve ser recebido pela Igreja global com oração, compaixão e disposição para servir.
“Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo.”Gálatas 6:2
Neste momento, enquanto equipes continuam procurando sobreviventes, milhares de famílias aguardam notícias de seus parentes e comunidades inteiras enfrentam a perda de suas casas e meios de subsistência.
A prioridade é salvar vidas.
E, depois que o silêncio dos escombros der lugar ao trabalho de reconstrução, será necessário permanecer ao lado daqueles que sobreviveram.
O terremoto pode ter destruído casas e estruturas, mas a resposta humana e cristã pode e necessita ajudar a reconstruir esperança.




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