Mais violência não traz paz: filha de cristão preso na Síria pede ajuda dos EUA

Síria (ChristianDaily) - A filha de um cristão detido na Síria sem acusações desde fevereiro de 2025 pediu, nesta terça-feira (15), que o governo dos Estados Unidos use sua influência [sem mais violência em sua terra, mas em prol do diálogo e da liberdade religiosa] para garantir a libertação dele.
Enquanto representantes de grupos de defesa dos cristãos se preparavam para se reunir com autoridades do governo e membros do Congresso americano para pedir ações em favor de Suleiman Khalil — cristão ortodoxo siríaco que, como prefeito de Sadad, liderou a defesa da cidade contra o Estado Islâmico em 2015 — sua filha, Natalie Khalil, apelou ao presidente Donald Trump para que intervenha.
“Presidente Trump, por favor, use sua influência para trazer meu pai de volta para casa”, disse Khalil em um comunicado à imprensa. “Ele é pai para mim e para meus irmãos, mas, por causa de seu sacrifício e liderança, também é pai e herói de toda a nossa aldeia cristã, Sadad.”
O comunicado foi divulgado como parte de uma iniciativa no Capitólio promovida pelos grupos de defesa In Defense of Christians (IDC) e Christian Solidarity International (CSI), que buscam pressionar Washington a defender a liberdade religiosa e proteger cristãos e outras minorias na Síria.
Cristão permanece preso sem acusações
Khalil, de 52 anos, que não se aliou a nenhum dos lados políticos durante a guerra civil síria, não foi acusado de nenhum crime, não teve acesso a um advogado nem recebeu autorização para visitas regulares da família desde que o novo governo sírio de Ahmed al-Sharaa, ex-membro da Al Qaeda, o prendeu em 8 de fevereiro de 2025.
“A detenção contínua de Suleiman Khalil é um teste para saber se o novo governo da Síria garantirá os direitos constitucionais de forma igual a todas as comunidades religiosas e étnicas do país, e se cristãos e outras minorias religiosas poderão ter confiança em seu futuro na Síria”, afirmou Richard Ghazal, diretor-executivo do IDC, em um comunicado.
“Um homem que arriscou a vida para defender sua cidade contra o ISIS não deveria permanecer definhando na prisão sem acusação. À medida que os Estados Unidos retomam seu relacionamento com a Síria, o Congresso e o governo precisam fazer da liberdade religiosa, da cidadania igualitária e da proteção das minorias vulneráveis elementos centrais da política americana.”
O Congresso americano retirou as sanções contra a Síria em dezembro passado e, em agosto, o governo dos EUA revogou a classificação da Síria como Estado patrocinador do terrorismo, sem qualquer evidência de que a retirada fosse justificada, afirmou Ghazal em uma reunião com defensores dos direitos humanos na manhã de terça-feira.
Embora o Governo de Transição da Síria, liderado por Al-Sharaa, tenha se distanciado dos ataques contra cristãos e outras minorias religiosas e étnicas, o novo governo está direta ou indiretamente ligado à violência por causa da “cultura de impunidade que eles criaram, na qual grupos islamistas podem realizar esses ataques, e o governo sírio fica no modo ‘não ouço nada, não vejo nada’”, disse Ghazal aos representantes.
“Portanto, a impunidade, a falta de responsabilização, é o que permite que essas coisas aconteçam”, afirmou. “E continuará assim até que os governos ocidentais, neste caso o governo dos EUA, tenham expectativas mais elevadas e exijam resultados mais concretos deles.”
Filha relata restrições à fé cristã
Natalie Khalil disse à EWTN News na segunda-feira (14) que as autoridades sírias proibiram a família de contratar um advogado para seu pai e não especificaram nenhuma acusação contra ele.
“Eles vieram à nossa casa e disseram: ‘Ele era procurado’”, relatou.
A organização da defesa de Sadad por Suleiman Khalil durante o ataque do Estado Islâmico em 2015 é creditada por ter salvado 9 mil vidas.
Khalil recebeu um aviso antecipado de que os militantes do Estado Islâmico estavam se aproximando, contou Joel Veldkamp, diretor de defesa pública da CSI, à EWTN News. Ele acrescentou que tudo indica que o conhecido cristão estaria sendo punido por essas ações.
“Para o novo governo sírio, que está no poder há apenas cerca de dois anos, dizer aos Estados Unidos que está se unindo à luta contra o terrorismo e, depois, colocar um homem como este na prisão transmite uma mensagem muito confusa aos EUA”, afirmou à EWTN. “Transmite uma mensagem terrível aos cristãos na Síria, que estão realmente incertos sobre seu futuro sob esse novo governo.”
Natalie Khalil disse à publicação que, durante as visitas limitadas ao pai, o governo islamista restringiu expressões de sua identidade cristã e a proibiu de entregar uma Bíblia a ele.
“Fomos orientados a usar hijab para cobrir a cabeça e os cabelos. Deveríamos cobrir o corpo inteiro”, contou à EWTN. “Meu irmão foi usando um colar com uma cruz — eles tiraram a cruz do pescoço dele. Não tínhamos permissão para ser cristãos naquele lugar.”
Grupos pedem libertação imediata
Em junho, a CSI, o IDC e outras organizações enviaram uma carta aberta ao embaixador Tom Barrack, enviado presidencial especial dos EUA para a Síria e o Iraque.
“As ações do senhor Khalil ao defender sua cidade contra o ISIS deveriam ser celebradas por todos os sírios, especialmente pelo novo governo, que oficialmente se juntou à Coalizão Global liderada pelos EUA para Derrotar o ISIS”, afirmaram os autores da carta. “Em vez disso, o governo sírio parece estar punindo-o por isso.”
Barrack tem defendido fortemente o apoio dos EUA ao novo governo sírio, que chegou ao poder após o colapso da ditadura de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024.
“Respeitosamente, pedimos que intervenha junto às autoridades sírias para garantir a libertação imediata do senhor Khalil”, declararam os autores.
“Apelar ao governo sírio para que liberte imediatamente o senhor Khalil — ou, no mínimo, lhe conceda acesso a assistência jurídica, atendimento médico necessário, uma notificação completa e transparente de quaisquer acusações contra ele e as garantias de devido processo legal exigidas por lei — contribuiria poderosamente para o objetivo do presidente Trump de proteger os cristãos no Oriente Médio, destacaria o compromisso compartilhado dos Estados Unidos e da Síria com o combate ao terrorismo e ajudaria a garantir que a ‘nova Síria’ seja, de fato, para todos os sírios.”
A carta foi assinada por John Eibner, pela CSI; Ghazal, pelo IDC; Brownback; Nadine Maenza, do Institute for Global Engagement; Charmaine Hedding, do Shai Fund; Robert Ozgun, da American Syriac Union; e Morhaf Ibrahim, presidente da Alawite Association of the United States.
Não houve resposta oficial de Barrack à carta, embora seu escritório tenha confirmado imediatamente o recebimento e reafirmado o compromisso dos EUA com a proteção dos cristãos na Síria, informou Veldkamp ao Christian Daily International.
A CSI está fazendo campanha pela libertação imediata de Khalil. Apoiadores podem enviar uma mensagem em favor dele diretamente ao Ministério das Relações Exteriores da Síria por meio do site da CSI .
Síria na Lista Mundial da Perseguição
A Síria ocupou a 6ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026 (WWL), da Portas Abertas, uma queda expressiva em relação à 18ª posição no ano anterior, em grande parte devido ao aumento da violência.
Por Edward Ross, em Christian Daily International.




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