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Igrejas se tornam linha de frente da esperança após terremotos na Venezuela

Foto do escritor: Raphaelson Steven Zilse
Raphaelson Steven Zilse
29 de jun.
4 min de leitura
Pessoas procuram vítimas entre os escombros de edifícios destruídos após um terremoto de magnitude 7,2 atingir a Venezuela e outras regiões do Caribe em 25 de junho de 2026. Equipes de resgate, voluntários e moradores continuam as buscas em meio à devastação, enquanto milhares de famílias aguardam notícias de desaparecidos. Foto por Jesus Vargas, em christianitytoday.com
Pessoas procuram vítimas entre os escombros de edifícios destruídos após um terremoto de magnitude 7,2 atingir a Venezuela e outras regiões do Caribe em 25 de junho de 2026. Equipes de resgate, voluntários e moradores continuam as buscas em meio à devastação, enquanto milhares de famílias aguardam notícias de desaparecidos. Foto por Jesus Vargas, em christianitytoday.com

Venezuela (H11) - Cinco dias após os terremotos que devastaram o norte da Venezuela, o país começa a entrar em uma nova etapa da crise. Embora as operações de busca continuem em várias áreas, autoridades, organizações humanitárias e líderes religiosos já falam abertamente sobre o desafio da reconstrução e do cuidado de longo prazo com os sobreviventes.


O foco das últimas 48 horas deixou de ser apenas a remoção de escombros. Agora, a principal preocupação envolve milhares de famílias desalojadas, o aumento das necessidades médicas e psicológicas e a assistência às comunidades que perderam praticamente toda a sua infraestrutura local.


Segundo os dados divulgados nesta segunda-feira, o número de mortos já ultrapassa 1.700 pessoas, com mais de 20.000 feridos e quase 16.000 sem alojamentos. As autoridades também estimam que há cerca de 50 mil pessoas que ainda permanecem desaparecidas, sem contato com familiares ou em áreas de difícil acesso, dificultando um balanço definitivo da tragédia.


O tempo dos milagres não terminou


Apesar de as equipes internacionais reconhecerem que as chances de encontrar sobreviventes diminuem drasticamente após os primeiros dias, os últimos resgates realizados durante o fim de semana renovaram a esperança do país.


No domingo, socorristas conseguiram retirar com vida um pai e um filho que permaneceram soterrados por aproximadamente quatro dias em La Guaira. A operação exigiu cerca de 12 horas de trabalho contínuo e envolveu equipes venezuelanas e especialistas estrangeiros. Pouco antes, uma mãe e seu bebê também haviam sido encontrados vivos sob os escombros, tornando-se símbolos de esperança em meio à tragédia.


Outro caso que chamou atenção ocorreu em Caraballeda, onde um jovem foi retirado dos destroços após permanecer cerca de 106 horas preso sob uma estrutura colapsada.


Equipes de resgate em busca de sobreviventes em meio a escombros de prédios em La Guaira, na Venezuela, em 28 de junho de 2026. Foto por Miguel Medina/Pool/AFP, em g1.globo.com
Equipes de resgate em busca de sobreviventes em meio a escombros de prédios em La Guaira, na Venezuela, em 28 de junho de 2026. Foto por Miguel Medina/Pool/AFP, em g1.globo.com

Igrejas ocupam espaço deixado pela fragilidade da infraestrutura


Uma das mudanças mais visíveis nos últimos dias tem sido o crescimento da atuação das igrejas evangélicas nas áreas afetadas.


Enquanto comunidades inteiras enfrentam dificuldades para acessar serviços públicos, centenas de congregações passaram a funcionar como centros improvisados de assistência. Em vez de apenas distribuir ajuda emergencial, muitas igrejas estão coordenando redes locais de voluntários, identificando famílias vulneráveis, organizando cozinhas comunitárias e servindo como pontos de comunicação para pessoas que perderam contato com parentes.


Pastores entrevistados pela imprensa cristã internacional relatam que diversas congregações estão atendendo pessoas muito além de sua própria membresia. Em alguns bairros, igrejas tornaram-se os únicos locais onde moradores conseguem receber refeições quentes, água tratada, medicamentos básicos e orientação sobre abrigos disponíveis.


Organizações como JOCUM, Send Relief, Samaritan's Purse, Convoy of Hope e outras redes evangélicas internacionais ampliaram suas operações durante o fim de semana, canalizando recursos para igrejas locais já presentes nas comunidades atingidas.


O desafio invisível: trauma, luto e medo


Além dos danos materiais, líderes cristãos relatam uma crescente demanda por apoio emocional e espiritual.


Milhares de venezuelanos continuam dormindo em praças, estacionamentos, campos esportivos e áreas abertas por receio de novos tremores. O forte abalo secundário registrado nas últimas horas reacendeu o medo da população e interrompeu temporariamente algumas operações de resgate.


Pastores afirmam que muitas pessoas chegam às igrejas não apenas em busca de alimentos ou abrigo, mas também de alguém que as ouça. Há famílias inteiras lidando simultaneamente com perdas humanas, destruição de suas casas e incerteza sobre o futuro.


Em resposta, várias congregações começaram a organizar equipes de aconselhamento, grupos de oração e visitas a centros de acolhimento temporário.



Os restos de edifícios destruídos em El Junquito, na Venezuela, vistos na segunda-feira, 29 de junho de 2026. A região, localizada na área metropolitana de Caracas, sofreu graves danos estruturais após os terremotos que atingiram o norte do país, deixando bairros inteiros cobertos por escombros e milhares de moradores desalojados. Foto por Federico Parra/AFP via Getty Images, em theguardian.com
Os restos de edifícios destruídos em El Junquito, na Venezuela, vistos na segunda-feira, 29 de junho de 2026. A região, localizada na área metropolitana de Caracas, sofreu graves danos estruturais após os terremotos que atingiram o norte do país, deixando bairros inteiros cobertos por escombros e milhares de moradores desalojados. Foto por Federico Parra/AFP via Getty Images, em theguardian.com

Uma resposta internacional sem precedentes


A escala da tragédia desencadeou uma das maiores mobilizações internacionais já vistas na Venezuela.


Mais de 3.600 socorristas estrangeiros provenientes de dezenas de países estão atuando no país. Equipamentos especializados, hospitais de campanha, cães farejadores, sistemas de purificação de água e milhares de toneladas de suprimentos foram enviados para reforçar as operações humanitárias.


Estados Unidos, países latino-americanos, nações europeias e organismos multilaterais ampliaram seus pacotes de ajuda ao longo do fim de semana. O objetivo agora não é apenas salvar vidas, mas evitar uma crise secundária envolvendo falta de água potável, doenças, insegurança alimentar e deslocamentos prolongados.


O Brasil também passou a integrar a mobilização internacional de apoio à Venezuela. O governo brasileiro anunciou o envio de ajuda humanitária emergencial por meio da Defesa Civil, do Ministério das Relações Exteriores e de órgãos de assistência, incluindo medicamentos, kits de primeiros socorros, purificadores de água e suprimentos básicos para atendimento às populações afetadas.


Além da cooperação oficial, diversas organizações humanitárias e igrejas brasileiras iniciaram campanhas de arrecadação de alimentos, roupas, cobertores e recursos financeiros destinados às regiões atingidas. A proximidade geográfica e os laços construídos ao longo dos últimos anos com a comunidade venezuelana residente no Brasil têm impulsionado uma forte corrente de solidariedade para apoiar ações de socorro, acolhimento e reconstrução, reforçando o compromisso de ajudar um país vizinho que enfrenta uma de suas maiores tragédias naturais.


O que vem depois dos escombros?


Especialistas afirmam que a reconstrução poderá levar anos.


Além dos edifícios destruídos, o terremoto expôs problemas estruturais acumulados ao longo de décadas, incluindo construções vulneráveis, infraestrutura precária e limitações nos sistemas de resposta a emergências. As estimativas preliminares indicam que milhões de pessoas foram afetadas direta ou indiretamente pela tragédia e que os custos da reconstrução poderão ultrapassar bilhões de dólares.


Enquanto escavadeiras continuam removendo toneladas de concreto e equipes internacionais permanecem vasculhando áreas devastadas, uma nova realidade começa a surgir na Venezuela: a de um país que precisará reconstruir não apenas prédios e estradas, mas também comunidades inteiras profundamente marcadas pela perda.


Em meio à dor, as igrejas continuam repetindo a mesma mensagem que tem ecoado nos abrigos, nos cultos ao ar livre e entre os voluntários: a tragédia ainda não terminou, mas a esperança também não.


Por Raphaelson Steven, H11 Notícias.

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"Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem"
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