China liberta pastor torturado na prisão, acusado de “colocar em risco a segurança nacional”

China (ChristianPost) - As autoridades chinesas libertaram um pastor que teria sido torturado durante sua detenção e acusado de colocar em risco a segurança nacional. A libertação ocorreu mais de quatro anos após a abertura de um processo contra ele e dois corréus por causa de sua igreja não registrada.
O pastor Lian Xuliang voltou para casa no início deste mês, informou a ChinaAid, citando o grupo de direitos humanos Weiquanwang. Lian lidera a Igreja da Abundância de Xi’an, uma congregação não registrada na capital da província de Shaanxi.
O caso e o que acontecerá com os dois corréus — a pregadora Fu Juan e o pai de Lian, o pastor Lian Changnian — permaneciam incertos após sua libertação.
Prisão e tortura
A polícia prendeu Lian Xuliang e outros dois membros da igreja em 17 de agosto de 2022. Os três foram acusados de fraude e de “colocar em risco a segurança nacional”, segundo a Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF), que afirma que Lian foi torturado durante o período em que permaneceu detido.
O Departamento Municipal de Segurança Pública de Xi’an colocou os três sob uma medida prevista na legislação chinesa chamada “vigilância residencial em local designado”, uma forma de detenção secreta em um local escolhido pelo governo, sob suspeita de fraude.
Segundo o grupo de direitos humanos Church in Chains, os três permaneceram separados em pequenos quartos de um hotel adaptado durante seis meses, sem que suas famílias recebessem qualquer notícia durante todo esse período. O grupo afirmou que eles sofreram fome, espancamentos, administração forçada de drogas e longos períodos sem acesso ao banheiro.
Uma carta de oração da igreja, datada de 29 de abril de 2024, afirmou que Lian suportou graves abusos sob custódia.
Dois dias após as prisões de agosto de 2022, o órgão de assuntos civis de Xi’an proibiu a igreja, classificando-a como uma organização social ilegal por funcionar sem registro.
Em 15 de fevereiro de 2023, os três foram transferidos para a detenção criminal e levados a outra unidade de Xi’an. Um mês depois, os promotores obtiveram autorização para prendê-los formalmente.
Posteriormente, a polícia convocou membros da igreja e utilizou tortura para pressioná-los a acusar os pastores de fraude e renunciar à sua fé. No entanto, muitos dos que foram identificados como supostas vítimas afirmaram que haviam feito suas contribuições financeiras voluntariamente.
Os promotores construíram o caso principalmente com base no depoimento de uma mulher chamada Qin Wen, que posteriormente afirmou não ter sido vítima de fraude e ter sido coagida a fazer a acusação. Mais tarde, ela contratou um advogado para limpar o nome dos pastores e perdeu seu emprego em um jardim de infância por causa disso.
Processo judicial e deterioração da saúde
Em janeiro de 2024, o caso chegou ao tribunal, e os promotores recomendaram cinco anos de prisão para cada acusado.
Em 12 de abril de 2025, as autoridades colocaram os três novamente sob vigilância e os libertaram sob fiança. Lian Changnian, que tinha então 71 anos, precisou de tratamento hospitalar devido à deterioração de sua saúde.
Ele foi avaliado no Centro de Saúde Mental de Xi’an e submetido a uma ressonância magnética do pescoço. Em 29 de maio de 2025, os médicos registraram o diagnóstico de “transtorno mental orgânico, estado de ansiedade e fadiga cerebral intensa”. O exame também revelou danos na coluna vertebral, e ele foi hospitalizado mais duas vezes em junho por problemas recorrentes na coluna.
Um boletim informativo da congregação, publicado em 5 de junho de 2025, afirmou que as autoridades intimidaram, ameaçaram e abusaram de Lian Changnian. Segundo o boletim, ele ficou incapaz de dormir deitado de costas durante os dois anos e oito meses em custódia, sofrendo graves danos à saúde.
Um advogado que o visitou em 10 de setembro de 2024 constatou declínio cognitivo e alucinações. O pastor teria afirmado temer ser envenenado ou estrangulado enquanto dormia.
Os juízes de Xi’an retomaram o caso em 9 de julho de 2025, mas não chegaram a um veredito. Enquanto aguardavam a decisão, o Departamento de Segurança Pública deteve novamente os três em 2 de novembro, com o Tribunal Distrital de Baqiao aprovando as novas prisões.
Lian Changnian, que ainda estava recebendo tratamento hospitalar quando ocorreram as novas prisões, foi transferido de sua casa para o Centro de Detenção do Distrito de Weiyang, uma unidade de Xi’an onde os três continuam detidos.
Histórico da Igreja da Abundância de Xi’an
A Igreja da Abundância de Xi’an remonta ao início da década de 1990, quando Lian Changnian a fundou. Ele também ocupa uma posição de liderança na China Gospel Fellowship, uma rede não autorizada de igrejas na província de Henan que há anos sofre perseguição e foi classificada como organização de culto proibida. Muitos pastores e membros da rede foram presos.
Segundo a revista Bitter Winter, a congregação havia sido alvo das autoridades por causa de sua independência, de sua posição teológica e do crescimento do número de membros. A publicação informou que as detenções pareciam ter como objetivo desmantelar sua liderança e desencorajar os membros.
As autoridades chinesas têm utilizado cada vez mais acusações de fraude contra líderes de igrejas não registradas.
Por Anugrah Kumar, em Christian Post.




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